OMS diz que tabaco poderá matar 8 milhões de pessoas até 2030
BR

30 maio 2014

Alerta foi feito para o Dia Mundial Sem Tabaco, marcado neste sábado 31 de maio; agência da ONU sugere 50% em aumento de impostos para tentar salvar 11 milhões de vidas nos próximos três anos.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou que a epidemia global do tabaco pode matar 8 milhões de pessoas por ano em todo o mundo até 2030, se as autoridades não fizerem nada para combater o problema.

Segundo os especialistas mais de 80% dessas mortes, que poderiam ser evitadas, vão acontecer em países de média e baixa rendas.

Combate

A declaração foi feita para marcar o Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado este sábado 31 de maio.

Atualmente, 6 milhões de pessoas perdem a vida por usar produtos derivados do tabaco. Deste total, 10% são fumantes passivos.

Para combater a epidemia, a campanha 2014 da OMS quer que os governos aumentem os impostos sobre os produtos derivados do tabaco para reduzir o consumo.

De Brasília, a consultora da Organização Pan-Americana de Saúde, Opas, Adriana Bacelar Gomes falou à Rádio ONU sobre o impacto dessa medida.

Sociedade Civil

“Estudos comprovam que essa medida realmente é a mais custo efetiva para você conseguir ter uma redução de consumo. No momento em que você aumenta os impostos sobre os produtos de tabaco existe o impacto real da redução do consumo desses produtos e aí você tem também a redução dos fumantes.”

O aumento de impostos pode ajudar a salvar 11 milhões de vidas nos próximos três anos.

A OMS quer também uma mobilização da sociedade civil para pressionar os seus governos a agirem nesse sentido.

A Convenção-Quadro sobre o Controle do Tabaco determina que os países implementem aumento dos impostos para reduzir o consumo.

Novos Desafios

O coordenador do Controle do Tabagismo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, falou sobre o cigarro eletrônico.  Em entrevista à Rádio ONU, de São Paulo, Márcio Gonçalves de Souza destacou que os aparelhos têm outras substâncias de risco.

“Esses aparelhos têm ficado cada vez mais poderosos em relação a jogar logo a nicotina no cérebro de quem está tragando esse cigarro eletrônico, para viciar e torná-los dependentes cada vez mais. No cigarro eletrônico, já identificou-se metais pesados como sílica e estanho. E como para qualquer coisa que nós consumimos, nós precisamos saber o que é e qual o perfil de segurança. Hoje não existe segurança. É a mesma coisa que eu falar: ‘vamos começar a chupar uma pilha, duas ou três vezes por dia’ e ver o que acontece depois de 15 anos, ver se vai gerar, por esses metais pesados, a formação de novos tipos de câncer.”

Drama Pessoal

Também de São Paulo, a presidente da Aliança de Controle do Tabagismo do Brasil, Paula Johns, falou sobre o assunto à Rádio ONU.

Ela disse que deixou de fumar há 10 anos quando trabalhava numa ONG e acompanhava as negociações sobre a Convenção-Quadro do Controle do Tabaco.

“Numa situação em que eu estava num contexto muito vulnerável e morando fora   comecei a fumar, não percebi e me tornei dependente. Eu nunca achei bom ser fumante. Eu tinha tentado parar de fumar diversas vezes sem sucesso. Estar envolvida com esse tema foi o que conseguiu fazer com que definitivamente parasse de fumar mas foi um processo longo. Teve um dia que falei, depois de ter parado centenas de vezes, aquela coisa “agora chega”. Marquei uma data que foi véspera do meu aniversário falando “a partir de amanhã eu não vou fumar mais e pronto’ mas foi um processo, não teve só o Dia D”, contou.

Objetivo

Pesquisas recentes indicam que a alta das taxas é eficaz principalmente entre as pessoas de baixa renda e para evitar que os jovens comecem a fumar.

Além disso, o Relatório Mundial de Saúde 2010 da OMS mostrou também que um aumento de 50% nos impostos iria gerar quase US$ 1,5 bilhão, o equivalente a mais de R$ 3 bilhões, em novos fundos que podem ser aplicados no setor de saúde.

O objetivo Dia Mundial Sem Tabaco é contribuir para a proteção não só contra os efeitos arrasadores do consumo, mas também pelas consequências sociais, ambientais e econômicas associadas a ele.

 

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