Rapidez é crucial para deter divisões de centro-africanos, diz ONU

23 maio 2014

Vice-chefe da Missão da organização decidiu enviar elementos de proteção civil e apoio para reconciliar populações de Bambari; cristãos e muçulmanos afastam-se uns dos outros na área habitada por mais de 40 mil pessoas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O vice-representante especial do secretário-geral na República Centro-Africana frisou a necessidade de se “pensar muito rápido” para produzir uma saída para a crise entre cristãos e islâmicos no país. Lawrence Wohlers destacou o "sentimento de incerteza" que começa a dividir os cidadãos centro-africanos.

As declarações foram feitas após a semana que marcou a sua visita à cidade de Bambari, localizada a cerca de 280 km da capital Bangui. Na área vivem pouco mais de 40 mil habitantes.

Plataformas

Wohlers disse que a população começa a afastar-se devido ao  conflito entre as milícias anti-Balaka, de maioria cristã, e Séléka que é composta por muçulmanos.

A missão da ONU no país, prometeu enviar elementos para a proteção civil, para apoiar na reconciliação das populações e criar plataformas para o diálogo entre cristãos e muçulmanos.

Reintegração

Para Wohlers, o medo dividiu as comunidades que viviam juntas na área por muitos anos. Vários centro-africanos foram auscultados pelo responsável na deslocação que incluiu especialistas dos direitos humanos, de desmobilização e de reintegração.

De acordo com a ONU, a natureza do conflito assume-se cada vez mais sectária após o golpe de Estado liderado pelos rebeldes em 2012. Os confrontos agravaram-se em meados de dezembro passado.

Cerca de 2,2 milhões de centro-africanos carecem de ajuda humanitária devido à violência, marcada por relatos de violações dos direitos humanos.