Deslocados da violência pós-eleitoral continuam por reassentar no Quénia

7 maio 2014

Fluxo lidera as causas do deslocamento interno após ter movimentado 600 mil quenianos em 2007 e 2008; relator da ONU quer medidas tomadas com base na realidade para o fim do problema.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um perito das Nações Unidas afirmou, esta quarta-feira, que o fim dos deslocamentos no Quénia deve ser baseado na realidade e não pode ser determinado por uma decisão política.

O país africano ainda lida com pessoas que deixaram as suas casas devido à violência pós-eleitoral há cerca de sete anos. A considerada maior crise de deslocamento interno movimentou 600 mil quenianos.

Confrontos

O relator especial sobre os Direitos Humanos dos Deslocados Internos disse que outros factores para o fenómeno incluem confrontos intercomunitários, despejos ou desastres naturais.

No fim da sua visita ao Quénia, Chaloka Beyani pediu uma acção concertada para o desenvolvimento e a consolidação da paz. O objetivo é que sejam encontradas soluções duradouras para o grupo.

Discriminação

O especialista disse que somente com o tipo de abordagem pode se permitir que os deslocados usufruam dos seus direitos humanos, sem discriminação. Para Beyani, as leis nacionais já reconhecem as causas mas requerem implementação imediata.

Na área de Moyale, o perito disse ter visto casas e escolas queimadas e destruídas, que impedem o regresso de deslocados. Beyani reiterou ainda que os pastores de gado requerem uma atenção especial.

Problemas

Apesar do que chamou de “empenho e esforços do governo para reassentar os desabrigados”, Beyani apontou a continuação de problemas como a ausência da posse segura da terra.

Os desafios incluem as crianças fora da escola e sem acesso aos serviços de saúde, a falta de oportunidades e a discriminação.

Além de visitar os deslocados durante sua presença no Quénia, Beyani manteve encontros com representantes nacionais e municipais em Nairobi e Nakuru.