Congresso Internacional propõe aterros e reciclagem em Angola

28 abril 2014

O aumento dos aterros sanitários poderá ser a nova aposta do governo angolano na gestão dos resíduos sólidos urbanos.

Herculano Coroado, da Rádio ONU em Luanda.

Com participantes de África, Europa e Américas, o Segundo Congresso sobre Gestão Sustentável dos Resíduos em África recomendou que a gestão do lixo urbano deve ser entendida como um processo de crescimento contínuo.

A proposta prevê iniciar com o que existe de mais robusto, os aterros sanitários e evoluir para outras soluções mais complexas que permitam melhores resultados em termos de valorização de resíduos.

Aterros

Em Angola, além das lixeiras em quase todo o lado, o país africano possui um único aterro sanitário, o Aterro dos Mulenvos, considerado o segundo maior de África e que dista vários quilómetros do centro da capital.

O engenheiro sanitário e ambientalista Tomás Baptista destaca a importância deste projecto que poderá ser replicado em outras partes de Angola. Mas fala dos constrangimentos financeiros no sistema. O estado angolano gasta 1,4 biliões de dólares norte americanos com o Plano Nacional de Gestão de resíduos, o que para este especialista ambiental é insuficiente.

Reciclagem

Para rentabilizar o esforço, alargar as fortes de recursos e tornar o processo financeiramente sustentável, o Segundo Congresso recomendou o uso de metodologias combinadas como a reciclagem, reaproveitamento a reutilização do lixo. O objetivo é maximizar o tempo de vida dos aterros sanitários. No caso angolano, os resíduos são apenas enterrados e raramente incinerados.

Recomenda-se que a obtenção da energia do lixo seja pelo aproveitamento e valorização do biogás do aterro e da incineração para os grandes centros urbanos.

Comunidade

Especialistas locais, com efeito, estão céticos em relação à ideia por falta de uma cadeia de mercado e indústrias locais para absorção dos resíduos. Mas o consultor do ministério do

Foto: Herculano Coroado

Meio Ambiental, Mário Saffer, fala da experiência e dos avanços já obtidos no Brasil na valorização dos resíduos com a participação comunitária, os chamados “captadores” de lixo.

Do evento, uma outra recomendação foi a manutenção do esforço de educação e sensibilização participativa com o envolvimento da sociedade civil, setor privado, das escolas e das universidades ao mesmo tempo que se aperfeiçoem as práticas de planeamento, políticas e legislação  específicas. 

Sugeriu-se a adopção de soluções adequadas às características sociais, económicas e culturais próprias de cada país, alinhadas às políticas do sector do ambiente.

Saneamento básico

A engenheira sanitária e assessora do ministro do ambiente de Cabo-Verde, Neusa Brito, partilhou a experiência cabo verdiana, relativamente à reforma do setor de todo o saneamento, como as águas, águas residuais e os resíduos. Neusa Brito falou do reforço do saneamento básico, mas também ressalta necessidade da construção de capacidades internas dos Estados africanos.

Rede lusófona

A Estados como Angola, este Segundo Congresso recomendou a eficácia e eficiência na monitoria e fiscalização do controlo dos programas de resíduos e monitorização e implementação de políticas dos programas existentes.  A ministra do ambiente de Angola Maria de Fátima Jardim antecipou a possibilidade da criação de uma rede dos países de língua oficial portuguesa para cooperação no setor.

Com base na sustentabilidade da gestão dos resíduos sólidos urbanos, o evento foi organizado pela ISO e a Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental, conjuntamente com o Ministério do Ambiente angolano, sob o alto patrocínio do Governo de Angola.

Além dos delegados estrangeiros, participaram igualmente membros do Governo angolano, empresários, investidores, entidades eclesiásticas e estudantes.

 

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