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Brasil diz que mulheres podem fazer a diferença nas eleições guineenses

Brasil diz que mulheres podem fazer a diferença nas eleições guineenses

Embaixador Antonio Patriota, que também preside Comissão da Consolidação da Paz das Nações Unidas, acredita no poder de mobilização das mulheres na Guiné-Bissau para fortalecimento do processo democrático.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

As mulheres da Guiné-Bissau podem desempenhar um papel fundamental nas eleições legislativas e presidenciais, marcadas para 13 de abril. 

A declaração é do embaixador do Brasil e presidente da Comissão de Consolidação da Paz das Nações Unidas, Antonio Patriota. O grupo está a atuar com o Escritório da ONU em Bissau e com entidades internacionais para ajudar na realização da votação, a primeira desde o golpe de Estado de 2012.

Tarefas Iguais

Nesta entrevista à Rádio ONU, Antonio Patriota disse que as mulheres têm um papel de destaque na consolidação da paz não somente na Guiné-Bissau, mas em toda região. E explicou o porquê.

“A tendência das mulheres é de se sobreporem a diferenças religiosas, étnicas, sociais ou políticas de diferentes tipos e se concentrarem na busca de reformas que beneficiem a sociedade como um todo. Então, por exemplo, as mulheres de Guiné-Bissau estão militando para poder ter acesso à posse da terra, para estabelecimentos de leis mais equânimes no que se refere à herança e também pagamento igual para tarefas iguais ou idênticas.”

Prémio Nobel da Paz

Segundo o embaixador do Brasil, a comunidade internacional deve continuar a apoiar a Guiné-Bissau mesmo depois da votação. Ele elogiou ainda os esforços do chefe do Escritório da ONU no país, Uniogbis, o ex-presidente do Timor-Leste e Prémio Nobel da Paz, José Ramos Horta.

Antonio Patriota informou que a Comissão de Consolidação da Paz tem um fundo financeiro para apoio de projetos, que já tem beneficiado iniciativas de cooperação com organizações femininas em Bissau.

Segundo indicou, a realização das eleições e a restauração da ordem democrática no país, de língua portuguesa, deverá levar organismos internacionais a apoiarem a Guiné-Bissau com empréstimos financeiros que deverão revitalizar a economia da nação africana.

*Apresentação: Eleutério Guevane.