ONU envia monitores de Direitos Humanos para Ucrânia
BR

14 março 2014

Equipe vai ajudar a estabelecer os fatos sobre violações por todo o país, incluindo a Crimeia; secretário-geral assistente Ivan Simonovic expressou séria preocupação com alegações de uso excessivo de força e assassinatos extrajudiciais.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O secretário-geral assistente para os Direitos Humanos, Ivan Simonovic anunciou esta sexta-feira o envio de uma equipe de monitores para a Ucrânia.

Simonovic, que está em Kiev, disse que os especialistas vão ajudar a analisar e estabelecer os fatos sobre os relatos de violações dos Direitos Humanos no país, inclusive na Crimeia.

Manipulação

O secretário-geral assistente fez a declaração durante uma entrevista a jornalistas na capital ucraniana. Ele permanecerá no país até terça-feira coletando dados e informações sobre situação.

Simonovic afirmou que “sem o estabelecimento independente e objetivo dos fatos e das circunstâncias sobre as alegadas violações dos direitos humanos há um risco sério de que essas denúncias possam ser manipuladas para fins políticos.”

Segundo ele, isso pode levar a uma divisão ou incitamento ao ódio. O secretário-geral assistente disse que a equipe da ONU, como um grupo imparcial, vai agir para estabelecer os fatos, evitar a manipulação e reduzir as tensões.

Simonovic expressou séria preocupação com as alegações de uso excessivo de força pelas autoridades e assassinatos extrajudiciais, incluindo a ação de atiradores de elite, práticas de tortura, desaparecimentos e detenção arbitrária.

Responsabilidade

Ele ressaltou que a responsabilidade é de extrema importância, não somente para as vítimas das violações de direitos humanos mas para restaurar a fé na sociedade, no governo e nas instituições do país.

Simonovic não teve condições de visitar a Crimeia durante a missão na Ucrânia porque as autoridades locais disseram que não poderiam garantir sua segurança.

Mesmo assim, o representante da ONU afirmou que a falta de acesso à região não impedirá a equipe de especialistas de avaliar a situação dos direitos humanos na Crimeia.