Relatório da ONU destaca “níveis intoleráveis de violência” na Líbia

10 março 2014

No Conselho de Segurança, representante do Secretário-Geral alerta para risco de tensões sem precedentes; informe trimestral revela que confrontos assumem contornos tribais e étnicos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O representante do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Líbia disse ao Conselho de Segurança que o período de transição no país é marcado por uma grave crise política aliada à instabilidade e à violência.

Na apresentação do seu relatório trimestral ao órgão, Tarek Mitri disse que ainda não há resultado dos esforços para solução das diferenças e o alcance de um acordo sobre a gestão do período.

Linhas Tribais

O responsável disse que, nos últimos três meses, houve um aumento dramático da violência no país. Ao realçar que queixas políticas, económicas e sociais transbordaram em violência armada entre grupos rivais, ele explicou que grande parte de confrontos ocorre entre linhas tribais e étnicas. Mitri destacou que campanhas sem abrandamento de assassinatos e bombardeamentos e raptos direcionados chegaram a níveis intoleráveis.

De acordo com o responsável, o pacto devia incluir a criação do futuro Congresso Nacional e do Governo.

Sequestros

O também chefe da Missão de Apoio ao país, Unsmil, apontou relatos persistentes de atos como tortura, mortes sob custódia e sequestros. As ações seriam levadas a cabo por brigadas secretas ligadas aos ministérios da Justiça ou Defesa.

O representante disse ainda que a entrega de todos os detidos ao controlo efetivo das autoridades é um pré-requisito para o estabelecimento de Estado de Direito no país do norte de África.

Conforme explicou, com o evoluir da violência, a Líbia corre o risco de seguir em direção à violência sem precedentes.

*Apresentação: Denise Costa.