Na Guiné-Bissau, relatora pede prioridade para pobres e marginalizados

28 fevereiro 2014

Especialista da ONU para Pobreza Extrema e Direitos Humanos desencoraja o que considera “disputas de poder a curto prazo”; para Magdalena Sepúlveda, mulheres e meninas têm seus direitos e necessidades negligenciados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Autoridades políticas e militares da Guiné-Bissau foram instadas a tratar de forma prioritária as necessidades críticas dos pobres marginalizados.

Até este sábado, a relatora especial das Nações Unidas para Pobreza Extrema e Direitos Humanos visita o país, onde disse que o povo não pode mais esperar pela efetividade das políticas públicas.

Vida Melhor

Magdalena Sepúlveda aconselhou as autoridades estatais a atuar com vista a assegurar que todas as mulheres, crianças, jovens e gerações futuras tenham uma vida melhor na Guiné-Bissau.

A representante pediu uma visão comum que mova a classe política nacional para longe do que chamou “disputas de poder a curto prazo”. Ela aconselhou que haja trabalho em direção ao bem-estar de toda a sociedade, especialmente da população carenciada.

Sucesso Limitada

Em nota, a relatora especial aponta ainda que as políticas adotadas para melhorar o quadro legal do país tiveram sucesso limitado para melhorar a situação dos guineenses a viver em situação de pobreza. 

Conforme sublinhou, “o desenvolvimento depende de priorizar o investimento em serviços sociais, como a saúde e educação e reforçar o setor da agricultura para garantir a segurança alimentar.”

Bem-Estar

As mulheres e meninas foram destacadas por Sepúlveda por serem o que chamou de pilar fundamental da Guiné-Bissau. Como observou, destas depende inteiramente o bem-estar social e financeiro da comunidade e a renda familiar.

Mas referiu que os seus direitos e necessidades são negligenciados. Entre as limitações, apontou os serviços de educação, saúde e justiça. Além disso, ressaltou que estas são vítimas de práticas como violência sexual, exploração, casamentos forçados e gravidez precoce.

Disparidades

Destacou que estas apresentam uma maior incidência de HIV/Sida em relação aos homens, aliada a disparidade na escolarização, alfabetização, renda, taxas de desemprego e dificuldades para superar a pobreza.

A relatora alertou que a incidência de mulheres a viver com HIV/Sida e as taxas de mortalidade materna estão entre as piores do mundo.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas deve ter acesso ao informe completo sobre a deslocação em junho. Desde segunda-feira, os contactos incluíram autoridades governamentais, organizações da sociedade civil e comunidades em situação de pobreza.

*Apresentação: Denise Costa.