Assembleia Geral debate crise humanitária na Síria
BR

25 fevereiro 2014

Secretário-Geral afirmou que escala e gravidade do sofrimento no país aumenta a cada dia; alta comissária de direitos humanos alerta que apesar da reunião Genebra 2, violência continua desenfreada na região.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Assembleia Geral da ONU está reunida esta terça-feira debatendo a crise humanitária na Síria. Participaram do encontro o Secretário-Geral, Ban Ki-moon, a alta comissária de Direitos Humanos, Navi Pillay e o alto comissário para Refugiados, António Guterres.

Ban afirmou que a “escala e a gravidade do sofrimento humanitário aumenta a cada dia no país”.

Acesso

Ele disse que a ONU e as organizações de ajuda precisam ter acesso a centenas de milhares de pessoas nas regiões norte e leste da Síria que não recebem qualquer tipo de assistência há três anos.

O Secretário-Geral alertou que é necessário conter o avanço da poliomielite com uma campanha de vacinação contínua. Segundo Ban, os civis devem ter o direito de sair livremente das áreas de conflito e os hospitais e centros médicos não devem ser usados para abrigar soldados ou guardar armas.

O chefe da ONU afirmou ainda que deve acabar o uso indiscriminado das chamadas “bombas barril” e outros bombardeios em áreas urbanas, estratégias utilizadas para aterrorizar os civis.

Ajuda

Ban explicou que as Nações Unidas estão fazendo o máximo possível para levar ajuda humanitária aos sírios. Ele disse que a ONU já conseguiu atingir milhões de pessoas, mesmo assim, não é suficiente.

O Secretário-Geral prometeu fazer de tudo para implementar a nova resolução aprovada no sábado, para facilitar o acesso à população sitiada pela guerra. Além disso, Ban quer ainda melhorar a situação humanitária.

Segundo ele, as tropas do governo estão mantendo aproximadamente 200 mil civis sitiados em várias partes do país, enquanto as forças da oposição mantém 45 mil.

Ban declarou que se a situação continuar, o resultado será a morte por falta de comida.

Ele apelou à comunidade internacional que forneça os fundos necessários para cobrir as operações humanitárias dentro da Síria e também nos países vizinhos, que abrigam 2,5 milhões de refugiados.

Refugiados

O alto comissário para Refugiados, António Guterres, disse que há cinco anos, a Síria era o segundo maior país do mundo a abrigar refugiados. Atualmente o país está quase superando o Afeganistão como a nação que mais gera esse grupo.

Guterres explicou que os países vizinhos receberam os refugiados sírios mesmo com um alto custo para eles próprios.

Para o chefe do Acnur, apesar de os refugiados terem encontrado abrigo ao atravessar a fronteira, eles não escaparam do trauma e dos problemas psicológicos.

Guterres pediu mais apoio internacional para a Síria e para os países da região, incluindo uma grande assistência financeira.

Alerta

A alta comissária de Direitos Humanos, Navi Pillay, alertou que apesar das negociações entre representantes do governo e da oposição na reunião Genebra 2, a violência no país continua desenfreada.

Segundo ela, os ataques realizados pelas tropas do governo como também pelas forças da oposição estão matando, ferindo e desalojando civis.

Pillay declarou que as chacinas continuam acontecendo e que o fluxo constante de combatentes estrangeiros diminui as chances de se alcançar uma solução política.

Alepo

A alta comissária da ONU citou que a situação é pior em Alepo, onde o governo mantém, desde dezembro do ano passado, um bombardeio quase diário da região.

Mas Pillay alerta também para as execuções em massa comandadas por grupos radicais de oposição em Alepo, Idlib e Al-Raqqah. Ela afirmou que crianças têm desaparecido ou são detidas, torturadas e sujeitas à violência sexual. Em alguns casos são executadas.

A representante da ONU disse ainda que uma geração inteira de crianças sírias está condenada a viver com cicatrizes físicas e psicológicas, assim como, mulheres que terão de viver com o trauma da violência sexual e de ameaças.

“Banho de Sangue”

Pillay declarou que o “banho de sangue” na Síria tem de acabar. As partes envolvidas no conflito devem aproveitar a oportunidade para o diálogo e para as negociações.

Segundo ela, todos eles devem respeitar suas obrigações perante as leis internacionais humanitária e de direitos humanos.

A alta comissária voltou a pedir ao que chamou de “forças externas” que parem de enviar armas e combatentes estrangeiros para a Síria. Ela disse que essas ações imprudentes desestabilizam toda a região.