Grupos armados cercam mais de 15 mil na República Centro-Africana

25 fevereiro 2014

Acnur aponta risco “muito elevado de ataques” ao alertar para a necessidade urgente de melhorias na segurança; PMA quer atenção para crise regional devido ao fluxo das vítimas da violência.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Mais de 15 mil pessoas estão cercadas e sob ameaça de grupos armados no noroeste e sudoeste da República Centro-Africana, disse o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur.

Em declarações a jornalistas nesta terça-feira, em Genebra, o porta-voz da agência, Adrian Edwards disse que em 18 localidades, as vítimas estão sob risco “muito elevado de ataques”, carecendo urgentemente de melhor segurança.

Preocupação

O representante frisou que, embora a violência tenha atingido todas as comunidades, a maioria das vítimas é composta por muçulmanos sob a ameaça das milícias anti- Balaka, de maioria cristã. Conforme mencionou, as áreas de maior preocupação são o bairro denominado  PK12 na capital Bangui, e as cidades de Boda, Bouar e Bossangoa .

O Acnur diz que a perseguição das populações com base na religião teve início em setembro do ano passado. O problema está a afetar tanto às comunidades cristãs como as muçulmanas.

Mortes

Na semana passada, 21 pessoas que seguiam num comboio transportando fugitivos de PK12 morreram num ataque dos anti-Balaka. Outras 119 crianças e 19 mulheres fugiram para uma vila próxima.

Na área de Boali, a norte de Bangui, um ataque das milícias teria resultado em 11 mortos, disse o Acnur.

Países Vizinhos

Entretanto, o Programa Mundial da Alimentação, PMA, chamou a atenção para o impacto regional da crise, com a necessidade urgente de assistência a mais de 150 mil recém-chegados nos países vizinhos.

Desde a intensificação da violência, em dezembro, o maior anfitrião é o Chade com 70 mil centro-africanos, seguido da República Democrática do Congo, com 62 mil, e pelos Camarões.

Por outro lado, o Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, anunciou que recebeu somente 14% do apelo de US$ 551 milhões solicitado para apoiar aos centro-africanos. No país, cerca de 700 mil pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas devido à violência.