Relatório para o Conselho de Segurança expõe abusos no conflito sul-sudanês

22 fevereiro 2014

Documento regista atos ocorridos em quarto estados onde ocorreram os mais pesados combates; com base na origem, étnica civis foram deliberadamente alvejados e mortos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Os civis continuam a ser alvos de abusos dos direitos humanos cometidos pelas partes do conflito sul-sudanês, aponta um relatório provisório elaborado para o Conselho de Segurança pela Missão da ONU no país, Unmiss.

O documento sublinha que na mais jovem nação do mundo ocorreram estupros, assassinatos em massa e casos de tortura entre 15 de dezembro de 2013 e o fim de janeiro passado.

Pesados Combates

A missão regista uma série de abusos nos estados de Equatoria Central, Jonglei, Unidade e Alto Nilo onde tiveram lugar os mais pesados combates entre forças leais ao presidente Salva Kiir, da comunidade Dinka, e o ex-vice- presidente Riek Machar dos Lou Nuer .

Várias testemunhas relataram ataques deliberados a civis, nacionais e estrangeiros, aliados a assassinatos extrajudiciais e em massa. As violações cometidas pelas forças dos lados incluem desaparecimentos forçados e atos violência com base no género como estupros, maus-tratos e tortura.

Origem

O relatório observa que civis em grande número foram deliberadamente alvejados e mortos com base na origem étnica e tantos outros obrigados a deslocar-se pelas mesmas razões.

O informe destaca que somente nas 72 horas que se seguiram à crise, soldados do Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla, estiveram alegadamente envolvidos no assassinato de moradores Nuer na área de Juba.

Investigações

Por outro lado, na capital de estado do Alto Nilo,  Malakal, vários civis Dinka teriam sido mortos. Os autores teriam sido jovens armados  Nuer e desertores do Spla e da Polícia Nacional. Decorrem investigações de relatos do que a Unmiss chama de “graves execuções em massa” em Juba, Bentiu e Rubkona.

A missão diz ter obtido novas provas de abusos dos direitos humanos durante combates pelo controlo de Malakal nesta semana.

Hospital

Numa visita efetuada, esta quinta-feira, por uma patrulha da Unmiss no centro da cidade foram colhidos depoimentos de testemunhas oculares a alegar que as forças de oposição teriam morto a 10 civis desarmados num hospital. A motivação para a incursão feita a 19 de fevereiro teria sido a origem étnica das vítimas.

Duas crianças também sofreram execução extrajudicial fora do perímetro do complexo da ONU, perpetrada por jovens armados nesta quinta-feira, aponta o relatório. Acredita-se que os autores sejam aliados das forças da oposição.

A Missão condena vigorosamente os abusos dos direitos humanos, tendo apelado a todas as partes envolvidas na crise que deixem de cometer mais atrocidades.

 

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