Ban lamenta violência na Ucrânia que matou mais de 100 pessoas
BR

20 fevereiro 2014

Secretário-Geral fez a declaração depois de reunião no Conselho de Segurança; ele afirmou que situação no país piorou com perdas trágicas dos dois lados do confronto.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou esta quinta-feira a violência que já causou a morte de mais de 100 pessoas na Ucrânia.

A declaração de Ban foi feita depois de reunião no Conselho de Segurança.

Escalada da Situação

O chefe da ONU afirmou que quando se encontrou com o presidente Viktor Yanokovych em Sochi, na Rússia, durante a abertura das Olimpíadas de Inverno, o líder ucraniano lhe garantiu que a situação estava melhorando.

Ban explicou que muito pelo contrário, houve uma escalada da situação para uma violência séria e com trágicas perdas dos dois lados do confronto.

Ele enviou condolências às famílias das vítimas e desejou rápida recuperação dos feridos.

Apelo

O Secretário-Geral voltou a fazer um apelo ao governo e aos manifestantes para que parem com a violência. Ele pediu também as autoridades ucranianas que evitem o uso excessivo de força

Ban disse que está assustado com o uso de armas de fogo tanto pela polícia quanto pelos manifestantes.

Diálogo

Ele pediu as duas partes que retomem imediatamente o diálogo. Segundo o chefe da ONU, esta é a única forma de se prevenir um banho de sangue e de se chegar a uma solução para a crise.

Ban disse ainda que tem mantido contato com líderes mundiais para que encontrem um meio de ajudar os ucranianos a resolverem a crise de forma pacífica através de um diálogo inclusivo.

O Secretário-Geral afirmou que a ONU continua ao lado da população e pronta para fazer a sua parte no apoio a uma resolução pacífica.

Alta Comissária

Em entrevista exclusiva à Rádio ONU esta quinta-feira, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos Navi Pillay, disse que acompanha de perto a situação na Ucrânia e já ofereceu ao país todo o conhecimento na área dos direitos humanos para ajudar na promoção do diálogo.

Navi Pillay é entrevistada por Elena Vapnitchnaia, da Rádio ONU

Pillay disse estar muito preocupada com o uso excessivo da força pelo governo ucraniano. Ela lembrou que a violência também já matou vários policiais, mas nada permite a ninguém agir fora do Estado de Direito.

A alta comissária faz um apelo às autoridades para investigar os assassinatos, desaparecimentos e violações dos direitos humanos. Ela destacou relatos de que o governo estaria acusando integrantes das forças policiais, mas Pillay também está preocupada com manifestantes que foram presos e estão sob custódia.

Lei

Segundo ela, a lei da Ucrânia permite alternativas, como pagamento de fiança ou prisão domiciliar. Pillay diz que a situação é séria, que exige atenção imediata para o retorno da paz.

Por outro lado, a alta comissária reconhece os desafios do governo e cita casos de manifestantes que atiraram coquetéis molotov e a situação de 70 policiais que ficaram feridos.

Pillay lembra também de 47 jornalistas feridos na Ucrânia, o que teria sido causado por forças do governo. Mas a alta comissária destaca que é difícil obter investigações imparciais nesses casos. Por isso, ela oferece apoio às autoridades ucranianas, como o Judiciário, para que isso seja possível.