Onusida teme impacto da violência sexual na República Centro-Africana

20 fevereiro 2014

Chefe da agência fala de número alarmante de queixas de ataques contra  mulheres e meninas; cerca de dois terços de centro-africanos interromperam tratamento contra o vírus da sida.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O diretor executivo do Programa da ONU sobre o HIV/Sida, Onusida, disse ter testemunhado, esta quinta-feira, as condições de desespero de deslocados internos na República Centro-Africana.

Michel Sidibé destacou a crescente preocupação com a segurança das mulheres e meninas, devido ao que considera número alarmante de relatos de ataques sexuais nos locais onde estas estão abrigadas.

Bossangoa

No último dia da visita ao país, o representante esteve na cidade de Bossangoa, no noroeste, com a subsecretária-geral para Assistência Humanitária, Valerie Amos.

Sidibé considera intolerável a violência contra as vítimas que tentam reconstruir as vidas em casas temporárias. Ele revelou casos de trauma por estas terem sido obrigadas a abandonar as áreas de residência pelas milícias de comunidades vizinhas.

Resposta à Sida

Conforme referiu, os centros de deslocados devem servir de refúgio seguro para mulheres e meninas, num momento em que os fundos para lidar com a violência baseada no género são limitados.

O chefe da agência aponta que antes do início da atual crise, o país tentava dar resposta à sida num processo que foi dificultado pelos confrontos sectários.

Terapia 

Cerca de 15 mil das 125 mil pessoas a viver com o HIV estavam a receber a terapia antirretroviral em 2012.

Com a violência, dois terços dos beneficiários do tratamento fugiram das suas casas e não podem ter acesso aos medicamentos e aos cuidados de que necessitam.

Sidibé disse haver uma crescente preocupação porque a interrupção do tratamento pode causar a resistência aos medicamentos essenciais, dificultando os cuidados no futuro.

Acampamentos Separados

O chefe da Onusida disse que Bossangoa, que antes tinha cerca de 50 mil habitantes, está quase vazia devido à violência. A  maioria dos antigos moradores da cidade vive em dois acampamentos que separadamente albergam muçulmanos e cristãos.

As Nações Unidas apontam para 714 mil deslocados internos em todo o país. Sidibé mencionou a crescente falta de alimentos e o aumento de casos de carência nutricional aguda entre os que chegam à capital Bangui.

As maiores necessidades incluem serviços de saúde nas áreas mais afetadas incluindo medicamentos, material de laboratório, sangue seguro e remédios para evitar surtos de doenças infecciosas.

*Apresentação: Denise Costa.