Na República Centro-Africana, minorias não querem voltar para casa

19 fevereiro 2014

Estudo da OIM revela que muçulmanos e outras comunidades não se sentem seguros fora dos campos de deslocados; em Bangui, chefes de Assistência Humanitária das Nações Unidas e do Onusida avaliam necessidades de saúde.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Uma pesquisa realizada em vários campos de deslocados da República Centro-Africana refere que 66% dos muçulmanos e de outras minorias étnicas do país não pretendem voltar para as suas casas.

O estudo, a ser publicado esta semana, foi conduzido pela Organização Internacional para Migrações, OIM. A agência aponta que a intenção dos inquiridos é mudar-se para uma outra região, para o seu país de origem ou permanecer num campo de deslocados.

Habitação e Segurança

O estudo foi divulgado em Genebra, no momento em que o país acolhe a chefe do Escritório de Assistência Humanitária das Nações Unidas, Ocha, numa missão com o diretor-executivo do Programa Conjunto da ONU sobre o HIV/Sida, Onusida.

Até esta quinta-feira, Valerie Amos e Michel Sidibé devem analisar o impacto da crise sobre as necessidades essenciais de saúde na República Centro-Africana.

Prioridade

A pesquisa da OIM refere que entre os deslocados que pretendem retornar, a prioridade é o anseio de ter habitação, ao contrário da necessidade da melhoria de segurança mencionada há um mês.

O estudo também teve como foco as necessidades económicas dos que abandonaram as suas casas. Cerca de 93% dos deslocados disseram que têm acesso a uma quantidade reduzida de alimentos para a família.

Pelo menos oito em cada 10 contaram que teriam passado dias sem comer, no que a OIM considera um agravamento em relação aos indicadores da pesquisa efetuada em janeiro.

Divisão Étnica e Religiosa

Estima-se que o país tenha 714 mil deslocados internos devido ao  conflito que assumiu contornos sectários. A capital, Bangui, recebe 289 mil pessoas em 69 locais de acolhimento das vítimas dos confrontos entre  milícias anti-Balaka, de maioria cristã, e antigos combatentes Séléka, copostos por muçulmanos.

O estudo revela ainda uma divisão étnica e religiosa, ao destacar um agravamento a tal ponto que os muçulmanos e outras minorias não se sentem seguros em qualquer local que não seja acampamento de deslocados.

*Apresentação: Denise Costa.