República Centro-Africana: OMS alerta para colapso do sistema sanitário

14 fevereiro 2014

Pilhagem e ataques por detrás da desistência de profissionais como médicos e enfermeiros; Unicef revela número de menores recentemente mortos e mutilados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O conflito centro-africano ditou o colapso dos serviços sanitários, que resultou na exposição da população a surtos de doenças, além de deixar os feridos de guerra sem tratamento adequado.

A informação foi dada, esta sexta-feira, pela Organização Mundial da Saúde, OMS, que contou ainda que médicos e enfermeiros estão entre os funcionários do setor que abandonaram os seus postos.

Suprimentos

O motivos identificados para a desistência vão desde o saque das instalações médicas até a sua destruição devido aos confrontos sectários que envolvem as milícias anti-Balaka, de maioria cristã, e antigos membros do grupo Séléka, principalmente composto por muçulmanos.

Falando a jornalistas, em Genebra, o diretor de  Emergência e da Resposta Humanitária da OMS, Rick Brennan, ressaltou os riscos que envolvem as vítimas.

O representante destacou que a falta de serviços como vacinação deixam a  população deslocada em grave perigo de contrair doenças transmissíveis, devido à falta de abastecimento adequado de água aliada à escassez de instalações sanitárias.

A agência refere que os suprimentos médicos essenciais estão em fase crítica.

A informação foi dada no dia em que o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, declarou que 37 crianças foram mortas e 97 mutiladas nos últimos dois meses de confrontos. A agência da ONU considera “sem precedentes”  o nível de violência contra os menores.

Migrantes

No terreno, a Organização Internacional para Migrações, OIM disse ter distribuído kits de socorro de itens não-alimentares para apoiar  mais de 3 mil migrantes nas instalações do Aeroporto de Bangui.

A maioria destes está isolada ou precisa de ajuda  para regressar ao país de origem. A agência diz ter esgotado os fundos para o efeito, devido à operação que desde janeiro evacuou 5,4 mil migrantes por via aérea.