Ocha alerta que conflitos intensificaram na Síria
BR

14 fevereiro 2014

Chefe do Escritório de Assistência Humanitária da ONU afirmou que civis estão sob fogo cruzado; Valerie Amos relatou ao Conselho de Segurança que a estrutura social do país está despedaçada.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A chefe do Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, Valerie Amos, alertou que os conflitos na Síria aumentaram nos últimos quatro meses.

A declaração foi feita nesta quinta-feira à noite durante reunião a portas fechadas no Conselho de Segurança.

Fogo Cruzado

Ela afirmou aos 15 países integrantes do Conselho que os civis sírios estão sob fogo cruzado e que a estrutura social do país está despedaçada.

Amos explicou que a situação piorou desde a adoção do comunicado presidencial, de outubro de 2013. O documento pede ação imediata da comunidade internacional para proteger os civis e fornecer acesso humanitário às pessoas que necessitam.

Segundo a chefe do Ocha, todos os envolvidos no conflito estão fracassando em sua responsabilidade de proteger as pessoas. Ela disse que 250 mil civis estão sitiados em várias partes do país e mais de três milhões estão em regiões de difícil acesso por causa da violência.

Sucesso

Amos declarou aos membros do Conselho de Segurança que a operação humanitária em Homs foi um sucesso, dada a dificuldade das circunstâncias no local. A ONU conseguiu levar comida e remédios para atender 2,5 mil pessoas e retirou 1,4 mil da cidade.

A chefe do Ocha pediu que os integrantes do Conselho usem de sua influência para que os envolvidos no conflito obedeçam a trégua humanitária e o cessar fogo.

Ela quer também que eles permitam o acesso dos trabalhadores humanitários e se comprometam, por escrito, a seguir a lei humanitária internacional.

Yabroud

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville, afirmou esta sexta-feira que está preocupado com os relatos de reforço militar e aumento da ameaça contra civis na cidade de Yabroud.

Segundo Colville, a região é um reduto da oposição nas montanhas de Qalamoun.

O porta-voz explicou que recebeu notícias sobre ataques aéreos e que o reforço militar indica que uma operação por terra é iminente.

Ele disse que a eletricidade foi cortada nesta quarta-feira, os hospitais não têm remédios nem aparelhos médicos para atender os doentes. Colville calcula que o número de civis na cidade pode chegar a 50 mil, milhares fugiram da área nos últimos dias.

O Escritório de Direitos Humanos está acompanhando de perto a situação em Yabroud e pediu a todos os lados envolvidos no conflito que respeitem suas obrigações de acordo com a lei internacional.