Alerta sobre risco de cólera em deslocados da República Centro-Africana

7 fevereiro 2014

Acnur revela que principais alvos são abrigos superlotados pelas centenas de milhares que fogem da violência; representante da ONU no país aborda eleições e reconciliação com a nova presidente de transição.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, apontou para o alto risco de um surto de cólera em locais improvisados que abrigam milhares de deslocados do conflito na capital centro-africana.

Em nota divulgada esta sexta-feira, em Genebra, a agência aponta problemas como a superlotação e a falta de água e de instalações sanitárias devido aos violentos combates entre grupos rebeldes rivais.

Deslocados Internos

Somente a cidade de Bangui concentra cerca de metade dos 838 mil deslocados internos centro-africanos, refere a agência da ONU.

Cerca de 9 mil de civis fugiram nos últimos 10 dias para a área camaronesa de Kentzou, no leste. O fluxo fez subir o número de refugiados centro-africanos nos Camarões para mais de 20 mil.

Além da República Centro-Africana, os recém-chegados também são provenientes da Nigéria e do Mali.

Segurança

De acordo com relatos, citados pelo Acnur, os centro-africanos falam de intensos combates entre as ex-milícias Séléka, de maioria muçulmana, e as milícias anti-Balaka, composta por cristãos. Os confrontos têm lugar tanto em Bangui como em outras cidades do noroeste do país.

A agência revelou que a maioria dos deslocados é muçulmana, tendo confirmado o contacto com várias embaixadas para que cuidem de cidadãos de outras nacionalidades.

Obras

As pessoas em fuga dizem temer pela sua segurança devido à perceção de simpatia com os antigos Séléka.  Eles são hospedados por famílias pobres ou passam a viver em mesquitas, num estádio ou em ruas locais.

Um parque de campismo camaronês, que atribuído pelas autoridades, está a beneficiar de obras apoiadas pelo Acnur com vista a receber refugiados até ao fim da próxima semana.

Primeiro Encontro

Entretanto, o chefe do Escritório Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na República Centro-Africana manteve, esta sexta-feira, o seu primeiro encontro com a presidente de transição.

Com Catherine Samba-Panza, Boubacar Gaye abordou temas como a reconciliação, a preparação para as eleições e manifestou o apoio do Conselho de Segurança e do Secretário-Geral pela sua eleição em janeiro.

*Apresentação: Denise Costa.