ONU pede investigação a denúncias contra jornalistas no Egito

31 janeiro 2014

Alta comissária para os Direitos Humanos destaca ambiente difícil e cada vez mais perigoso para o trabalho dos profissionais da área; acusações contra 16 locais e quatro estrangeiros levantam apreensão.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos exortou as autoridades egípcias a investigarem denúncias de violência contra jornalistas.

Navi Pillay pede a libertação imediata dos que foram detidos enquanto realizavam as suas atividades legítimas, em nota apresentada esta sexta-feira, pelo seu porta-voz.

Ataques

Pillay diz que a preocupação é com a repressão cada vez mais grave e com os ataques físicos aos media, que considera um entrave para a capacidade dos profissionais operarem livremente.

A nota aponta que, nos últimos meses, têm havido relatos de perseguição, detenção e acusação de jornalistas nacionais e internacionais. Pillay também cita ataques violentos e ferimento de profissionais no último fim de semana ao tentarem cobrir o terceiro aniversário da revolução egípcia.

Disparos

Relatos não confirmados alegam que vários jornalistas teriam ficado feridos por disparos de fogo e de balas de borracha no último sábado. Presume-se que os disparos tenham sido feitos tanto pela oposição como pela polícia e por outras forças governamentais.

Para a alta comissária, o facto acentua o ambiente difícil e cada vez mais perigoso para os jornalistas que procuram realizar o seu trabalho.

A nota menciona ainda detenção pelas autoridades de “um número significativo” de outros profissionais da área, que cobriam os eventos ligados ao aniversário. Os relatos apontam para a libertação da maioria.

Julgamento

Na última quarta-feira, o procurador-geral egípcio anunciou a intenção de levar a julgamento 16 jornalistas locais e quatro estrangeiros que supostamente trabalham para a emissora internacional Al Jazeera.

A preocupação é com as acusações consideradas “vagas”,  que incluem “ajudar a um grupo terrorista” e “prejudicar o interesse nacional.”

Pillay diz que as acusações não só colocaram foco “na segmentação sistemática de pessoal Al Jazeera”, que tem cinco profissionais sob custódia desde a queda do anterior Governo em julho passado.

Liberdade de Expressão

A nota faz menção ao aumento de receios nos meios de comunicação em geral, tanto nacionais como internacionais no que considera profundamente prejudicial à liberdade de expressão e de opinião.

Os jornalistas que trabalham para outros meios de comunicação também teriam relatado ataques levados a cabo por partidários do governo, após terem sido acusados de trabalhar para a emissora.

25 de Janeiro

A responsável mencionou imagens de vídeo a mostrar um polícia que  ameaçava uma equipa de filmagem ao serviço de outra estação de TV. O agente estaria a afirmar que caso a filmagem não parasse, diria aos que estivessem a passar que a equipa trabalhava para a Al Jazeera para que esta fosse atacada.

Navi Pillay pede que todos os relatos de violência contra jornalistas, incluindo os ataques de 25 de janeiro, sejam investigados de forma independente e transparente.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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