Desafios de aprendizagem na África Subsaariana destacados pela Unesco

29 janeiro 2014

Relatório da agência diz que meninas pobres da região só poderão  concluir os primeiros anos do ensino secundário no próximo século; documento cita Guiné-Bissau por pagar em média menos de US$5 diários aos professores.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Com as tendências atuais da educação, a alfabetização de meninas pobres dos países em desenvolvimento só seria concluída em 2072, aponta a Organização da ONU para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

No relatório “Ensino e Aprendizagem: Alcançando a Qualidade para Todos”, a agência destaca o caso da África Subsaariana. Na região, é possível que somente no próximo século as meninas tenham condições de terminar os primeiros anos da escola secundária.

Lusófonos

Angola está entre os 20 países que saíram do grupo com uma taxa bruta de escolarização de 30%. O relatório destaca as autoridades angolanas pela introdução de um ano adicional de escolaridade, que aumentou os lucros das pequenas empresas em 7% para 9,5%.

Moçambique é citado por quase não ter jovens do sexo feminino de famílias mais pobres a concluir os primeiros anos da escola secundária em 2010/2011. Mas o país realizou “grandes progressos” no ingresso à escola na idade oficial, ao passar de 24% para 71% nos últimos quatro anos.

Por outro lado, Cabo Verde está longe de alcançar as metas das matrículas na educação primária e de alfabetização.

Disparidade

Timor-Leste foi um exemplo para ilustrar a disparidade da educação entre as zonas urbanas e rurais. As oportunidades de aprendizagem são de cerca de 100% para meninas da capital Díli, a contrastar com a área pobre de Ermera, com cerca de 40%. O rácio de aluno para professor no país baixou para metade, de 62 para 31, entre 2001 e 2011.

Na Guiné-Bissau menos de metade de professores são treinados de acordo com padrões nacionais. Num terço dos países analisados, a cifra é  de 75%.

Salários

No país, apenas 39% dos professores primários têm qualificações mínimas. O número de alunos para cada professor subiu de 44, no ano 2000, para 52 em 2010.

Para os guineense, a Unesco diz que o desafio da formação dos professores atuais é maior do que o do recrutamento e formação de novos professores. Em média, o salário dos profissionais é de menos de US$ 5 por dia.

São Tomé e Príncipe voltou ao grupo de países que estão longe de cumprir as Metas do Milénio para alfabetização de adultos, e mantém na mesma lista quanto ao ensino pré-primário.

Portugal

Portugal está entre os 126 países que devem atingir as metas de paridade de género. O mesmo deve ocorrer quanto ao número de matrículas no ensino primário e de alfabetização de adultos.

O relatório observa, entretanto, a experiência do país no pagamento de professores de acordo com o desempenho, a qual alerta que pode ter efeitos colaterais no ensino-aprendizagem. O documento realça a  competição entre os professores, que pode ser danosa para os alunos mais fracos.

Frase Completa

O relatório diz que cerca de 175 milhões de jovens de países pobres, equivalentes a um quarto da população juvenil, não podem ler uma parte ou uma frase completa.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, diz ser necessário recrutar 5,2 milhões de professores, até 2015, e trabalhar mais para os apoiar no auxílio aos alunos para que estes tenham direito a uma educação universal, gratuita e de qualidade.

 

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