Síria: Comitê da ONU quer acordo de paz baseado nos direitos humanos
BR

21 janeiro 2014

Grupo de relatores espera que Genebra 2 crie medidas para o fim imediato da violência; especialistas lembram que o futuro e as vidas de milhões de sírios estão em jogo.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Representantes do maior grupo de relatores independentes da ONU sobre direitos humanos esperam que a Conferência de Paz sobre a Síria crie medidas para o rápido fim da violência.

O comitê lançou uma carta aberta esta terça-feira, pedindo a paz duradoura do país, que tenha como “obrigação e objetivo” a proteção dos direitos humanos.

Apoio

O Comitê de Coordenação é um grupo de seis especialistas independentes que buscam facilitar os trabalhos de “procedimentos especiais” do Conselho de Direitos Humanos.

O coordenador do grupo, o relator Chaloka Beyani, destaca que “as vidas, o futuro e os direitos fundamentais de milhões de civis afetados estão em jogo na Síria”.

Na carta, os especialistas em direitos humanos prometem apoio a todas as “iniciativas positivas para o fim do conflito, o reestabelecimento do Estado de Direito e a garantia da assistência humanitária para todos”.

Beyani lembra a todos os lados envolvidos no conflito suas “obrigações em respeitar a lei humanitária”. Segundo o relator, “civis, independente de sua religião, etnia ou filiação política, precisam ser protegidos pelo Governo e por grupos armados, nas áreas controladas por cada um”.

Violações

Ele afirma que “crimes de guerra e contra a humanidade foram documentados” na Síria e os autores das violações precisam ser responsabilizados.

O grupo de relatores está alarmado com a morte de civis: em quase três anos de conflito, a ONU calcula que mais de 100 mil pessoas morreram. A carta destaca o “impacto terrível em mulheres, crianças e idosos”.

Segundo Chaloka Beyani, está quase impossível atender as necessidades básicas para segurança, integridade física, comida, saúde, abrigo, água, saneamento e educação.

Voz

De acordo com os relatores, evidências sugerem aumento das tensões sectárias e de ataques contra grupos religiosos na Síria, demonstrando “a rápida desintegração social.” O grupo está preocupado que essa violência gere implicações para um futuro de paz e de estabilidade no país e na região.

Os especialistas em direitos humanos defendem que toda a população tenha voz na construção do futuro sírio e destacam a necessidade especial de garantir um espaço para as mulheres durante a conferência Genebra 2.

O encontro, em Montreux, na Suíça, será esta quarta-feira, com representantes das Nações Unidas e dezenas de países. Na sexta, em Genebra, o governo sírio e grupos da oposição devem sentar frente a frente para tentar negociar o processo de paz.

 

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