Ban fala à Assembleia Geral sobre desafios mundiais para 2014 BR

Ban fala à Assembleia Geral sobre desafios mundiais para 2014

Secretário-Geral citou a violência em vários países africanos, a guerra na Síria e afirmou que este ano será crítico para a resolução do conflito israelense-palestino.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.*

Os 193 países-membros das Nações Unidas participaram de uma reunião, nesta sexta-feira, com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, para analisar as prioridades da organização em 2014.

Ban afirmou que este é um ano que começa marcado por conflitos entre outros pontos.

Resolução

Ele citou a violência em vários países africanos, a guerra na Síria e afirmou que este ano será crítico para a resolução da crise israelense-palestina. 

Ban citou ainda alguns sucessos de 2013 como por exemplo a aprovação do Tratado sobre o Comércio de Armas. Ele disse que espera que o acordo entre em vigor este ano.

Um outro destaque foi a realização de um diálogo de alto nível sobre Migração e Desenvolvimento, que deu lugar a uma declaração decisiva sobre o tema.

Visita

O Secretário-Geral mencionou a visita que acabou de realizar ao Iraque, onde vivem refugiados da guerra civil na Síria.

Ao falar da Conferência de Doadores, realizada na quarta-feira no Kwait, Ban lembrou que a Síria é uma das crises que marcam o início de 2014, assim como a situação da violência política na República Centro-Americana e no Sudão do Sul.

Ainda sobre a Síria, o chefe da ONU informou que a Organização para Proibição de Armas Químicas, Opaq, ao lado das Nações Unidas, está enfrentando prazos apertados para para cumprir o cronograma de eliminação das armas do país árabe até o fim de junho.

Solução Pacífica

Ban voltou a garantir que a ONU está intensificando esforços para levar à mesa de negociações em Montreux ambas as partes do conflito sírio: grupos de oposição e governo à procura de uma solução pacífica.

Para o chefe da ONU, uma outra crise, a do Sudão do Sul, alcançou proporções trágicas. As bases da organização no país africano tiveram que abrir as portas para abrigar dezenas de milhares de civis que fugiram da violência.

Ao citar o trabalho das Nações Unidas nos Grandes Lagos, Ban citou os casos da República Democrática do Congo e da República Centro-Africana que estão atravessando conflitios e violência.

Nova Constituição

Já o Egito e outros países em transição, segundo Ban Ki-moon, poderão se inspirar na Tunísia que está na iminência de adotar uma nova constituição, representando assim uma etapa decisiva para o povo do país.

A ONU acredita que 2014 será crítico para a resolução do conflito israelense-palestino. Ban reforçou seu apoio às negociações de paz e pediu aos dois aldos que demonstrem compromisso com o tema.

Ao fazer um balanço das missões de paz, o chefe da organização disse que os últimos trabalhos da Missão em Serra Leoa serão completos promovendo assima retirada do país africano. Segundo ele, isso prova ainda que o país avançou no sentido de uma paz duradoura.

Pirataria

Ban Ki-moon fez um alerta sobre o que chamou de ameaças relacionadas ao crime organizado, terrorismo, pirataria, tráfico de drogas, pessoas e armas e ao extremismo.

O chefe da ONU disse que está preocupado com o aumento de hostilidades entre diferente grupos étnicos e religiosos e citou o caso da Europa e outras partes do mundo, que fazem dos migrantes o “bode expiatório” levando minorias a situações de tensão social.

Ban lembrou a todos os países-membros que faltam apenas 714 dias para o prazo final dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. E disse que o mundo tem que apressar-se no alcance das metas. Os Estados já concordaram com a definição de novos objetivos de desenvolvimento sustentável a partir de 2015.

Clima

Ele próprio será o anfitrião da Cimeira Mundial do Clima, marcada para setembro deste ano, e que reunirá líderes mundiais, dos negócios, da sociedade civil e das finanças.

Ban encerrou o pronunciamento dizendo estar gravemente preocupado também com o que chamou de “ações imorais e irresponsáveis de muitos indivíduos que têm influência e responsabilidades.”

Para ele, os líderes em áres que estão enfrentando conflitos têm de agir a partir de agora baseados no dever histórico de defender os interesses de seus povos e do mundo.

O chefe da ONU citou Nelson Mandela como um exemplo de força moral e a paquistanesa Malala Yousafzai, que incluiu no grupo dos heróis mais jovens do mundo.

*Apresentação: Edgard Júnior.