Ocha: situação na República Centro-Africana tem potencial de genocídio
BR

16 janeiro 2014

Afirmação é do chefe de operações do escritório, que passou os últimos cinco dias no país; John Ging diz que comunidade internacional ignorou desenvolvimento da crise humanitária.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O diretor de operações do Escritório de Assistência Humanitária da ONU, Ocha, afirmou esta quinta-feira, em Genebra, que a situação na República Centro-Africana tem “os elementos e as sementes para o genocídio”.

John Ging, que passou os últimos cinco dias no país, afirmou não haver dúvidas de que a República Centro-Africana tem atualmente “todos os elementos vistos em Ruanda e na Bósnia.”

Sem Intervenção

Segundo o diretor do Ocha, 500 mil pessoas estão desalojadas só na capital Bangui. Ging afirma que a comunidade internacional ignorou o desenvolvimento da crise humanitária e não interveio para impedir a situação atual.

Ao fazer uma balanço de sua viagem, ele lembrou o “colapso” político e dos serviços de saúde, educação e social. O exército e as forças policiais também estão “desintegrados”, segundo Ging.

O diretor do Ocha destaca que nos últimos meses, o conflito inter-comunitário escalou e tem uma base religiosa. Segundo a ONU, os ataques armados ocorrem principalmente entre milícias ex-Séléka, de muçulmanos, e anti-Balaka, de cristãos. Pelo menos 1 mil pessoas já teriam morrido.

Atrocidades

Nas conversas que teve com a população, John Ging notou que civis das duas comunidades estão vivendo com medo e deixam suas casas pelas atrocidades cometidas, sem expectativa de quando a situação irá melhorar.

Em toda a República Centro-Africana, são quase 1 milhão de pessoas deslocadas, de acordo com a ONU, que precisam de água, comida, saneamento e cuidados de saúde. O Ocha considera ser uma crise de nível 3, assim como na Síria e nas Filipinas.

O representante  informa ainda que o Programa Mundial de Alimentos, PMA, conseguiu alimentação para 300 mil pessoas. A vacinação dos menores é um desafio e o Unicef e a OMS tentam vacinar 115 mil crianças contra o sarampo. 

Segundo John Ging, são necessários US$ 247 milhões para prestar ajuda humanitária à população, que nas palavras dele, enfrenta “uma mega tragédia.”

 

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