OMS: álcool mata 80 mil pessoas todos os anos nos países americanos
BR

15 janeiro 2014

Estudo da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, analisou mortes ocorridas entre 2007 e 2009 em 16 nações da América Latina e América do Norte.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Pelo menos 80 mil pessoas morrem todos os anos em países latino-americanos e da América do Norte por causa do consumo exagerado de álcool.

A constatação é parte de um estudo da Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, e da Organização Mundial da Saúde, OMS. 

América Central

O Brasil aparece em quinto lugar na lista das nações com o maior número de mortes causadas pelo álcool. Já em El Salvador, mais de 27 óbitos por 100 mil habitantes estão relacionados ao consumo de álcool. O país centro-americano é seguido por Guatemala e Nicarágua.

O estudo foi assinado pela médica brasileira, Maristela Monteiro, e pela pesquisadora Vilma Gawryszewski. Os dados foram publicados na revista especializada Addiction.

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Washington, a médica Maristela Monteiro falou sobre o incentivo ao consumo da bebida.

Futebol e TV

“Uma das políticas mais efetivas é o aumento de preços através de impostos, e o controle do marketing, da promoção, do patrocínio da indústria de bebidas alcóolicas. Está em todo o lado no Brasil. Desde o futebol, times de futebol nacional, na ruas, em shows. A propaganda na televisão. A cerveja não é considerada bebida alcóolica para efeito de controle da propaganda. Então existe dia e noite uma propaganda que estimula o consumo...”

As pesquisadoras analisaram as mortes ocorridas entre 2007 e 2009 em 16 países da região. Foram estudados apenas os óbitos relacionados diretamente ao excesso da bebida como por exemplo, doenças mentais causadas pelo uso de álcool assim como complicações no fígado.

Desordens

O estudo afirma que nenhuma dessas mortes teria ocorrido se o paciente não usasse álcool. Na maioria dos países pesquisados, as doenças do fígado foram a maior causa de morte seguidas por desordens neuropsiquiátricas.

Há notificações ainda de problemas cardíacos, derrames, mortes no trânsito e por uso de arma de fogo, casos de suicídio e câncer.

Os países com o menor número de mortes relacionadas ao álcool são Colômbia, Argentina, Venezuela, Equador, Costa Rica e Canadá. Todos com índices abaixo de seis óbitos por 100 mil habitantes.

Políticas e Intervenções

O estudo da OMS revela ainda que 84% das mortes são de homens.

Os riscos variam por faixas estárias nos países pesquisados. Argentina, Costa Rica, Cuba, Paraguai e Estados Unidos têm as taxas mais altas de óbitos entre pessoas de 50 a 59 anos.

Já no Brasil, no Equador e na Venezuela o risco de morte aparece mais cedo entre pessoas de 40 a 49 anos.

Segundo o estudo, a maioria dos países nas Américas têm políticas fracas para lidar com a questão.

 

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