Saqueados alimentos suficientes para 180 mil no Sudão do Sul, diz PMA

13 janeiro 2014

Agência pede às partes do conflito que protejam e salvaguardem os bens humanitários; FAO chama atenção para interrupção do desenvolvimento agrícola; setor envolve cerca de 78% da população rural do país africano.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, anunciou que foram saqueados alimentos suficientes para o consumo de cerca de 180 mil pessoas durante um mês no Sudão do Sul.

A informação foi dada, nesta segunda-feira, no lançamento de uma nova operação de emergência com vista a estender a assistência aos afetados pela crise no país africano. Em três meses, a iniciativa de US$ 57,8 milhões deve fornecer assistência alimentar de emergência a até 400 mil deslocados internos.

Armazéns

De acordo com a agência, a quantidade saqueada corresponde a 10% dos alimentos que distribuiu desde o início do conflito entre o governo e a oposição, em meados de dezembro.

Entre os desafios a serem superados está o acesso às vítimas e o roubo de outros bens nos armazéns da agência. O receio da agência é que o impacto da insegurança alimentar dure mais algum tempo, mesmo com o sucesso das negociações políticas a decorrer na capital etíope, Adis Abeba.

Interrupção

Às partes do conflito, o PMA pediu que protejam e salvaguardem os recursos humanitários tal como alimentos destinados ao apoio às pessoas em situação crítica, especialmente mulheres e crianças.

O apoio inclui ajuda nutricional especializada para novas mães e crianças em maior risco de uma interrupção no seu fornecimento de alimentos.

Sofrimento

Os riscos colocados pela crise do Sudão do Sul na vertente alimentar também preocupam a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO.

A agência diz que o conflito ameaça aumentar a fome, a desnutrição e o sofrimento humano. Segundo defende, o cenário faria recuar os ganhos modestos alcançados na segurança alimentar nos últimos dois anos.

Com o deteriorar da situação humanitária, a FAO aponta não somente para a perda de vidas e deslocamentos mas também na interrupção do desenvolvimento da indústria agrícola que apoia cerca de 78% da população rural.

Produtores

Os maiores danos são apontados nas principais rotas de abastecimento pelo deslocamento de comerciantes que levou ao aumento dos preços de alimentos e combustíveis.

Por outro lado, houve o colapso dos mercados locais cruciais para produtores rurais e para as populações dependentes de atividades como a pesca e a pecuária.

As previsões da agência apontavam para cerca de 4,4 milhões de pessoas afetadas pela insegurança alimentar este ano, antes do início dos combates entre forças do governo e da oposição.

A ONU estima que mais de 1 mil pessoas morreram devido aos confrontos, e que outras 230 mil tenham deixado as suas casas.

 

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