Saqueados alimentos suficientes para 180 mil no Sudão do Sul, diz PMA

Saqueados alimentos suficientes para 180 mil no Sudão do Sul, diz PMA

Agência pede às partes do conflito que protejam e salvaguardem os bens humanitários; FAO chama atenção para interrupção do desenvolvimento agrícola; setor envolve cerca de 78% da população rural do país africano.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, anunciou que foram saqueados alimentos suficientes para o consumo de cerca de 180 mil pessoas durante um mês no Sudão do Sul.

A informação foi dada, nesta segunda-feira, no lançamento de uma nova operação de emergência com vista a estender a assistência aos afetados pela crise no país africano. Em três meses, a iniciativa de US$ 57,8 milhões deve fornecer assistência alimentar de emergência a até 400 mil deslocados internos.

Armazéns

De acordo com a agência, a quantidade saqueada corresponde a 10% dos alimentos que distribuiu desde o início do conflito entre o governo e a oposição, em meados de dezembro.

Entre os desafios a serem superados está o acesso às vítimas e o roubo de outros bens nos armazéns da agência. O receio da agência é que o impacto da insegurança alimentar dure mais algum tempo, mesmo com o sucesso das negociações políticas a decorrer na capital etíope, Adis Abeba.

Interrupção

Às partes do conflito, o PMA pediu que protejam e salvaguardem os recursos humanitários tal como alimentos destinados ao apoio às pessoas em situação crítica, especialmente mulheres e crianças.

O apoio inclui ajuda nutricional especializada para novas mães e crianças em maior risco de uma interrupção no seu fornecimento de alimentos.

Sofrimento

Os riscos colocados pela crise do Sudão do Sul na vertente alimentar também preocupam a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, FAO.

A agência diz que o conflito ameaça aumentar a fome, a desnutrição e o sofrimento humano. Segundo defende, o cenário faria recuar os ganhos modestos alcançados na segurança alimentar nos últimos dois anos.

Com o deteriorar da situação humanitária, a FAO aponta não somente para a perda de vidas e deslocamentos mas também na interrupção do desenvolvimento da indústria agrícola que apoia cerca de 78% da população rural.

Produtores

Os maiores danos são apontados nas principais rotas de abastecimento pelo deslocamento de comerciantes que levou ao aumento dos preços de alimentos e combustíveis.

Por outro lado, houve o colapso dos mercados locais cruciais para produtores rurais e para as populações dependentes de atividades como a pesca e a pecuária.

As previsões da agência apontavam para cerca de 4,4 milhões de pessoas afetadas pela insegurança alimentar este ano, antes do início dos combates entre forças do governo e da oposição.

A ONU estima que mais de 1 mil pessoas morreram devido aos confrontos, e que outras 230 mil tenham deixado as suas casas.