ONU leva foco humanitário ao Sudão do Sul e à República Centro-Africana

2 janeiro 2014

Organização destaca situações prioritárias para 2014; chefe para a área alerta sobre necessidades financeiras para cobrir operações. 

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova Iorque.*    

A chefe do Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, afirmou, esta quinta-feira, que 2014 começa com crises humanitárias severas no continente africano.

Em entrevista a jornalistas na sede da ONU em Nova Iorque, Valerie Amos disse que o Sudão do Sul e a República Centro-Africana estão entre as maiores preocupações da agência.

Fuga 

A representante destacou que “no Sudão do Sul, calcula-se que a violência tenha causado a fuga de 194 mil pessoas das suas casas, num período de algumas semanas.

Segundo a chefe do Ocha, mais de 57 mil procuraram abrigo em bases da ONU no país.

Falta de Proteção

Valerie Amos declarou que 107 mil pessoas já receberam algum tipo de ajuda humanitária até agora, e que o objetivo do Ocha é atingir 600 mil até março.

Conforme afirmou, está profundamente preocupada com os contínuos relatos de violações dos direitos humanos e da falta de proteção dos civis.

A chefe da agência da ONU falou que oito organizações precisam ter acesso a comunidades afetadas pela crise para fornecer serviços de saúde, abrigo e água potável. Segundo ela, a vida das pessoas depende disso.

Pobreza 

Já em relação a República Centro-Africana, Amos afirmou que a violência e os confrontos continuam a ter como pano de fundo a pobreza e um Estado em colapso.

Mais de 800 mil pessoas estão atualmente estão desalojadas e meio milhão passa fome. A chefe do Ocha disse que oito agências da ONU estão a aumentar os esforços de resposta de acordo com a situação de segurança num processo “que não tem sido fácil.”

Acesso Limitado

No Sudão, o destaque foi para a falta de acesso a 800 mil pessoas residentes em áreas controladas por rebeldes no norte. Por outro lado, várias entidades humanitárias e agências da ONU queixam-se de acesso limitado em Darfur, no décimo ano da crise.

A República Democrática do Congo foi mencionada por Valerie Amos pelos deslocamentos à larga escala. 

Fome e Conflitos 

A representante disse que  2,7 milhões de pessoas estão na situação e que, juntas, as províncias do Kivu Norte e do Kivu Sul reúnem cerca de 65%. A insegurança alimentar afeta 6,3 milhões pessoas, e metade das crianças com menos de cinco anos sofre de malnutrição crónica.

Na Somália, 3,2 milhões de pessoas carecem de ajuda, além do 1,1 milhão de desalojados. Estima-se que 206 mil crianças possam sofrer de malnutrição aguda, no país tido como um dos casos mais críticos do mundo.

A organização também deve manter o seu foco em nove nações da região africana do Sahel, onde 16 milhões de pessoas estão em risco de fome devido aos conflitos e ao rápido crescimento da população.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud