Projeto têxtil ajuda refugiadas a construir uma nova vida no Quénia

27 dezembro 2013

Jovens mulheres participam num projeto de fabrico têxtil do coletivo Heshima Maisha, em Nairobi; segundo o Acnur, iniciativa promove liderança e restabelece a esperança das refugiadas.

Ana Duarte Carmo, da Rádio ONU em Nova Iorque.*   

Em Nairobi, no Quénia, mais de 24 refugiadas formam um grupo gerido pela organização não-governamental Heshima Maisha. O grupo fabrica e vende tecidos únicos e lenços tingidos à mão, possibilitando às participantes aprender um ofício.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, o projeto permite-lhes ainda ter uma fonte de rendimento para pagar a sua alimentação.

Acnur acompanha o trabalho da ONG

A ONG Heshima Maisha providencia educação, formação profissional, casa e outros serviços a crianças e meninas adolescentes que chegam ao Quénia, vindas do Ruanda, Sudão do Sul e Somália.

O Acnur trabalha com organizações não-governamentais como o coletivo Maisha para ajudar as refugiadas a restabelecer as suas vidas e a ganhar independência. Dar poder às mulheres está entre as prioridades estratégicas do Acnur.

Segundo Hamdi Ali Abdi, assistente do projeto, esta iniciativa oferece-lhes “a possibilidade de tomarem conta de si próprias, em vez de terem outras pessoas a fazer determinadas coisas por elas. Torna-as mais confiantes”.

Liderança e capacidade de gestão

A iniciativa promove as capacidades de liderança e de gestão, preparando as mulheres para um futuro de independência. A agência da ONU revela que a caminhada acaba por inspirá-las a proteger outras jovens refugiadas, transmitindo-lhes aquilo que aprenderam.

Os membros do grupo recebem, por mês, o equivalente a US$100 e participam também de sessões onde aprendem a gerir os seus rendimentos.

Desde que foi criado em 2009, o grupo já vendeu milhares de lenços e, através das vendas online, chegou a inúmeras partes do mundo, incluindo o Canadá, os Estados Unidos e a Europa.

Família

Outro aspeto positivo do trabalho da ONG é o ambiente familiar estabelecido. Segundo o Acnur, as refugiadas sentem que têm abertura para partilhar e falar do seu passado.

Uma das participantes, de 19 anos, explica que as colegas “são como se fossem irmãs” e que “quando estava na República Democrática do Congo, não tinha esperança”, mas agora a jovem afirma que a sua vida mudou”.

“Maisha” significa “vida”, em suaíli; e “heshima” significa “dignidade”. Ponto por ponto, as refugiadas estão a construir uma vida digna para si mesmas, no Quénia.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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