Valas comuns descobertas no Sudão do Sul, refere alta comissária

24 dezembro 2013

Chefe dos Direitos Humanos da ONU quer declarações e medidas claras de ocupantes de posições políticas e militares; conflito já fez mais de 80 mil deslocados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A alta comissária da Nações Unidas para os Direitos Humanos anunciou a descoberta de três valas comuns no Sudão do Sul, uma em Bentiu, no estado de Unity, e pelo menos duas outras na capital Juba.

Em nota, Navi Pillay manifesta grande preocupação com as execuções extrajudiciais em massa, a busca de indivíduos com base na etnia além das detenções arbitrárias registadas nos últimos 10 dias.

Base Étnica

Pillay diz haver um receio palpável entre os civis das comunidades Dinka e Nuer de serem mortos com base étnica. O início dos confrontos seguiu-se ao anúncio do governo de que soldados leais ao ex-vice-presidente, Riek Machar, tentaram realizar um golpe de Estado.

A responsável pediu declarações e medidas claras dos que assumem posições de controlo político e militar. Para ela, a mensagem deve ser de que as violações de direitos humanos não serão toleradas e que os seus autores serão levados à justiça.

Liderança

A alta comissária lembra que o Direito Internacional prevê que os que assumem tais posições podem ser responsabilizados pelas violações cometidas pelos que estão sob a sua liderança.

O pedido aos altos dirigentes, dentro e fora do Governo, é que tome medidas imediatas para evitar novas violações de direitos humanos.

Mais Tropas

A comunidade internacional foi apelada a reforçar o seu empenho para ajudar a proteção de civis e a presença das Nações Unidas, o que inclui o fortalecimento da Missão da ONU no país, Unmiss.

Nesta terça-feira, o Conselho de Segurança deve votar o acréscimo de 5,5 mil soldados da paz para a missão composta por 7 mil militares. A medida consta na proposta de resolução a ser votada um dia depois de uma reunião de emergência do órgão.

Casas e Hotéis

A alta comissária também expressou grande preocupação com a segurança dos detidos e encarcerados em locais desconhecidos cujo número diz incluir várias centenas. Conforme aponta, civis foram alegadamente presos durante buscas de casa em casa e em vários hotéis de Juba.

Pillay também menciona centenas de membros da polícia do Sudão do Sul que receberam ordens para desarmar antes de serem presos em esquadras da polícia de toda a capital.

Deslocados

O apelo às autoridades é que revelem o paradeiro de todos os detidos, incluindo líderes políticos, além de se absterem de efetuar mais detenções arbitrárias.

Entretanto, o Escritório da ONU para Assistência Humanitário, Ocha, refere que a crise no Sudão do Sul fez cerca de 81 mil deslocados, prevendo-se que o número real seja ainda maior.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud