Desaparecimentos na Síria são usados como tática de guerra
BR

19 dezembro 2013

Afirmação é da Comissão de Inquérito sobre o país, que divulgou um relatório sobre desaparecimentos forçados; civis foram apreendidos por autoridades de segurança, forças armadas e milícias pró-governo.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.*

Um painel das Nações Unidas concluiu que desaparecimentos forçados estão sendo usados como tática de guerra na Síria. A Comissão de Inquérito sobre o país divulgou um relatório sobre o tema nesta quinta-feira.

O documento afirma que desaparecimentos forçados “estão sendo realizados em larga escala, como parte de uma campanha de intimidação”. Segundo a Comissão, há evidências de que os atos estariam sendo cometidos por “forças do governo, como parte de ataques sistemáticos contra civis.”

Crime

Os especialistas do painel, presidido pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, destacam que a tática pode ser considerada um crime contra a humanidade. A Comissão conseguiu informações por meio de entrevistas conduzidas entre março de 2011 e novembro deste ano.

A investigação descobriu um padrão em todo o país, onde civis, a maioria homens, foram apreendidos pelas forças armadas e de segurança da Síria e também por milícias pró-governo. As pessoas teriam sido presas durante protestos, buscas nas casas, postos de inspeção e hospitais.

Familiares

Para a Comissão de Inquérito, o governo sírio perpetua um sistema de prisões e detenções caracterizadas como desaparecimentos forçados. Em alguns casos, os alvos são familiares de defensores, ativistas, combatentes e pessoas que fornecem cuidados médicos à oposição.

Em todos os casos documentados pelo painel, os sobreviventes descreveram terem sido torturados durante a detenção. Para os especialistas, a tendência é “perturbadora”.

Fenômeno

A Comissão de Inquérito sobre a Síria concluiu ainda que as autoridades recusaram fornecer informações sobre o destino dos desaparecidos. As evidências coletadas revelam casos onde familiares foram presos após pedir informações sobre as vítimas.

Por isso, o painel afirma que as autoridades sírias violaram os direitos das famílias de saber a verdade sobre as circunstâncias dos desaparecimentos e o destino da pessoa desaparecida. A Comissão nota que este é um fenômeno “extremamente preocupante”, que afetou milhares de famílias sírias.

Oposição

O relatório informa que durante os protestos pró-democráticos de março de 2011, os desaparecimentos forçados “foram sistematicamente empregados pelo governo para silenciar a oposição.”

E no último ano, integrantes de grupos armados anti-governo teriam sequestrado pessoas para o resgate ou troca de prisioneiros.

A Comissão nota que apoiadores do governo, defensores de direitos humanos, jornalistas, ativistas, trabalhadores humanitários e líderes religiosos foram capturados por vários grupos armados e ameaçados de morte.

O painel lamenta que o governo da Síria não tenha permitido a equipe  realizar investigações dentro do país. Segundo a Comissão de Inquérito, isso limitou a habilidade de investigar as violações, especialmente aquelas cometidas por grupos armados da oposição.

*Apresentação: Edgard Júnior.

 

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