Em Angola, migrantes falam de desafios devido a plano contra ilegais

19 dezembro 2013

Em entrevista à Rádio ONU, vários cidadãos que escolheram viver no país alegam burocracia e pedem melhor tratamento.

De Luanda para a Radio ONU, Herculano Coroado.

Não há estimativas exactas sobre o número de emigrantes que vivem em Angola, mas há consenso generalizado do aumento de estrangeiros que optaram por vir ao país com o fim da guerra civil.

A retoma do crescimento económico justificado no boom da produção petrolífera abriu oportunidades para muitos que fogem das dificuldades económicas do mundo em crise e tentam a sorte no país africano em prosperidade em áreas como o comércio ou a prestação de serviços.

Irmão

Em conversa com a Rádio ONU no Dia do Migrante, neste 18 de dezembro, António Manuel Cardoso, cidadão cubano de 49 anos, disse que se sente em Angola como se estivesse em Cuba.

“Para mim, Angola está fixe. É a mesma coisa como o meu país. Angola e Cuba são irmãos há muitos anos e estar em Angola é como estar em Casa. Para mim é a mesma coisa.”

Hábitos

Mas a emigração nem sempre é fácil. Para além de se queixarem da excessiva burocracia, várias fontes apontaram hábitos culturas locais diferentes.

A onda de criminalidade que afeta principalmente a capital país, Luanda, é apontada por Alex Constância, taxista de origem santomense de 36 anos, vários dos quais a viver e a trabalhar em Angola.

‘País Direito’

“Sinto-me bem em Angola. Tendo em conta que é um país de muita criminalidade, mas o governo tem estado a fazer o possível de maneiras que a seja um país direito.”

Sem uma estimativa oficial do número real de emigrantes em Angola, o governo angolano afirma que está a combater os emigrantes ilegais no país.

Entrada Ilegal

Além da Ásia, Europa e América Latina, muitos são oriundos de países africanos e entram pela fronteira norte e sudoeste. Órgãos de comunicação local referiram-se recentemente ao pagamento de entre 2  a 10 mil kwanzas, o equivalente entre US$ 20 e US$ 100 pela a entrada ilegal no país.

O papel de cidadãos angolanos na emigração é também mencionado. Em troca podem receber uma recompensa, em dinheiro ou comida. Por outro lado, alega-se a ação de agentes de segurança que fariam cobranças para facilitar o processo ilegal.

Viver

Koulibaly Adama, um emigrante da Costa do Marfim, de 34 anos de idade, acusa a pressão que a polícia exerce sobre os emigrantes em Angola, país em que gostaria de continuar a viver.

“O problema é que nós os estrangeiros aqui estamos a sofrer muito. Há polícias que nos tratam mal. Fora disto, Angola está boa e está a me kuiar. O problema é a polícia que está a me fatigar muito”, argumentou o costa-marfinense” 

Educação

Ao lado da polícia, o combate poderá envolver também o exército angolano, de acordo com autoridades militares citadas por agências noticiosas locais.

O apelo foi ouvido pouco antes da data comemorativa, que o cubano António Manuel Cardoso diz que gostaria de ver preservada em todo o mundo.

“Acho que é importante preservar a data porque todos os países têm emigrantes. Então como qualquer um de nós pode se converter em um emigrante se tiver que ir para um outro país.”

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, apela aos governos e a todas as pessoas do mundo a rejeitar a xenofobia e a abraçar a migração como chave para o desenvolvimento equilibrado, inclusivo, económico e social.

 

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