Ban diz que Mandela é “grande embondeiro que deixou raízes profundas”

10 dezembro 2013

Secretário-Geral destaca atributos como perdão, justiça e compaixão como legado do falecido lider sul-africano para a humanidade; mais de 90 chefes de Estado e de governo estiveram no ato em Joanesburgo.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Secretário-Geral das Nações Unidas disse ao mundo que se deixe guiar e inspirar pela chama dos direitos humanos, que considerou um espírito despertado por Nelson Mandela - o farol de esperança.

Ao discursar, esta terça-feira, na cerimónia memorial em honra do primeiro presidente da África do Sul democrática, Ban Ki-moon disse que este era um embondeiro cujas raízes atingem todo o planeta.

Injustiça

Para o Secretário-Geral, a compaixão é o que mais se destaca em Mandela, ao sublinhar que a sua fúria era com a injustiça e não com indivíduos, e que este odiava o ódio e não ao povo que vivia na situação.

Para Ban, Mandela mostrou o que chamou incrível poder do perdão,  de ligar as pessoas umas às outras e com o verdadeiro sentido da paz.

Líderes

O evento com a participação de dezenas de milhares de pessoas decorreu no Estádio FNB na cidade sul-africana de Joanesburgo. Após Ban,  tomaram a palavra os presidentes norte-americano, Barack Obama, do Brasil, Dilma Rousseff, e de Cuba, Raúl Castro.

As homenagens a Mandela também foram feitas pela presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, pelo vice-presidente chinês, Li Yuanchao, e pelos líderes da Namíbia, Hifikepunye Pohamba, e da Índia, Pranab Mukherjee.

O chefe da ONU lembrou que o antigo líder da África do Sul foi pugilista e associou à luta empreendida por todos ao longo da sua vida. Ban disse que é um dever dos que amam Mandela manter viva a sua memória nos corações e encarnar o seu exemplo.

Nação Arco-íris

A cerimónia com a participação de mais de 90 chefes de Estado e de governo, é considerada uma das maiores concentrações de dignitários internacionais nos últimos anos. 

A vitória dos sul-africanos com a transformação democrática do país foi igualmente citada por Ban, que lembrou que a ONU esteve do lado de Mandela e do seu povo na luta contra o apartheid. Entre as medidas implementadas pela organização estão sanções, embargo de armas, boicote de desportos e isolamento diplomático.

Após o derrube do apartheid, Ban disse que a luta é contra a desigualdade e intolerância e para alcançar a prosperidade e a paz.

Ban mostrou-se impressionado pela chamada nação arco-íris, tendo destacado a natureza do fenómeno que surge da chuva e do sol ao expressar que sentia a mistura a simbolizar tristeza e gratidão.

Perda

Ban endereçou condolências à família Mandela, ao povo da África do Sul e ao continente africano em nome das Nações Unidas.

O  discurso cita a capacidade do estádio, para defender que nem uma arena do tamanho de África poderia conter a dor pela perda de Mandela. Para o representante, o país ficou sem um pai e o mundo sem um amigo e mentor querido.

Para o chefe da ONU, Nelson Mandela é um dos maiores líderes da atualidade e um dos maiores professores ao ter ensinado pelo exemplo.

Ele destacou o seu “sacrifício, a vontade de desistir de tudo pela liberdade e pela igualdade, pela democracia e justiça.”

 

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