Documentário ilustra violência sexual em ritos de iniciação em Moçambique

8 dezembro 2013

Produtor diz ter-se baseado em caso que envolveu 17 participantes do tipo de cerimónia; material foi financiado pela ONU Mulheres e estará disponível nas escolas.

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.

Ritos de Iniciação – o Lado Escuro é o nome de um novo documentário produzido em Moçambique, que aborda a violência contra as mulheres e meninas. O trabalho tem o apoio da entidade das Nações Unidas que promove a autonomia feminina, ONU Mulheres.

O produtor é Gilberto Macuacua, que também edita e apresenta um programa denominado Homem que é Homem, na televisão pública de Moçambique, TVM. O foco são casos de violação sexual coletiva e sistemática de mulheres durante os ritos de iniciação masculina no norte do país.

Advocacia e Prevenção

Falando à Rádio ONU, de Maputo, Macuacua afirmou que a iniciativa foi motivada por um caso despoletado pela imprensa. O episódio envolveu uma mulher violada sexualmente por 17 homens que se encontravam num ritual de iniciação da cidade de Pemba, no norte.

“Este documentário tem que servir, de fato, de um instrumento de advocacia para que quem de direito tome medida das violações sexuais sistemáticas e coletivas da mulher, que constituem um crime, efetivamente. O segundo objetivo é que também quem é de direito, estamos a falar das organizações da sociedade civil, do próprio governo e de outras entidades que comecem uma reflexão sobre esta prática”, explicou.

Análise

Para Rosalina Nhachote, ativista dos direitos humanos e membro da equipe da ONG Unidos Moçambique, o documentário requer uma análise dos telespetadores.

“É chocante, obviamente, percebermos que ainda existem estas questões e como e que de forma intersetorial ou os órgãos de governo ainda existe este contra ponto entre a tradição e aquilo que e um estado de direito formal. Vivemos num estado democrático, tem instituições, o que essas instituições dizem? Podemos perceber ao longo do filme que eles mantêm um silêncio que eu chamo de silêncio cúmplice, onde temos as matronas e os mestres muitas vezes ligados ao poder político.”

‘Tradição’

Vários entrevistados abordados pela Rádio ONU, consideraram o documentário sugestivo por demonstrar aspetos culturais desconhecidos.

Um dos contactados falou da existência da tradição e da modernidade, com o desejo de viver numa sociedade “moderna com leis instituídas”, e ao mesmo tempo o “direito dito costumeiro radicado nas culturas às vezes impera muito mais.”

O outro entrevistado considerou a situação dramática, ao sugerir que haja um compromisso dos homens para uma luta com vista a inverter a situação.

O documentário Ritos de Iniciação – O Lado Escuro será distribuído em várias bibliotecas escolares moçambicanas.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

 

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