Ataques a instalações de saúde na Síria “podem ser crimes de guerra”

7 dezembro 2013

Pronunciamento para respeito dos trabalhadores da saúde assinado por agências humanitárias da ONU; paralisados mais de 60% dos hospitais públicos do país.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Uma declaração conjunta de altos funcionários da área humanitária nas Nações Unidas alerta que os ataques contra instalações de saúde na Síria podem ser considerados crimes de guerra sob o direito internacional.

O pronunciamento é assinado pela coordenadora de Auxílio de Emergência, Valerie Amos, a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, e o diretor executivo do Fundo da ONU para a Infância, Anthony Lake.

Civis

As partes do conflito foram instadas a respeitar as suas obrigações humanitárias internacionais, ao abrigo da legislação que protege os civis, os centros de saúde e os profissionais do setor.

A ONU calcula que mais de 60% dos hospitais públicos sírios não estão em funcionamento, e que as ambulâncias roubadas ou danificadas estejam na mesma proporção.

Acesso Seguro

O pronunciamento pede a proteção de profissionais de saúde na Síria, além do acesso seguro às instalações médicas, aos medicamentos, às vacinas e a outro tipo de ajuda humanitária vital.

O documento destaca ainda que “é do interesse de ambas as partes do conflito e de todas as pessoas da Síria que seja preservada a neutralidade e a funcionalidade das infraestruturas de saúde.”

A nota condena vigorosamente os ataques a instalações de saúde ou qualquer outra de natureza civil na Síria, e reitera a profunda preocupação com as graves implicações para os pacientes, os profissionais de saúde e o fornecimento de material médico essencial.

Hospitais Sobrecarregados

Os representantes dizem que numa altura em que os hospitais estão sobrecarregados com pacientes, é vital que estas instalações sejam protegidas. Quanto às equipes médica pede-se que sejam autorizadas a prestar assistência médica, cirúrgica e obstétrica urgente aos pacientes sem qualquer risco.

Estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham morrido devido à onda de violência causada pelo conflito entre forças do governo e da oposição, desde março de 2011. Mais de 6,5 milhões abandonaram as suas casas.

Pessoas Tratadas

Com os desafios de acesso, a ONU e os seus parceiros estimam que foram vacinadas mais de 3,3 milhões de crianças contra o sarampo e a poliomielite nas últimas semanas.

Mais de 8 mil mulheres receberam serviços de saúde materna e além do tratamento de centenas de milhares de pessoas com problemas crónicos de saúde.

Num informe ao Conselho de Segurança, no princípio da semana, Amos assinalou o que chamou “progressos modestos” com o Governo. Apesar da aceleração da emissão de vistos de entrada e o aumento de centros de distribuição de auxílio, a representante destacou que 250 mil sírios continuam sem ajuda.

 

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