Agências da ONU enaltecem legado de Nelson Mandela

6 dezembro 2013

Decorrem preparativos para o funeral do líder da luta anti-apartheid; entidades destacam o seu contributo nos direitos humanos, no combate ao HIV/Sida, na educação de crianças e proteção de refugiados da xenofobia.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O papel de Nelson Mandela como defensor dos direitos humanos, ativista anti-HIV e filantropo foi enaltecido por várias agências da ONU, na sequência da notícia da sua morte nesta quinta-feira.

Na África do Sul decorrem os preparativos para o funeral de Estado do primeiro presidente negro do país. O chefe de Estado sul-africano, Jacob Zuma, anunciou que a cerimónia pública terá lugar a 15 de dezembro.

Esperança

O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, lançou um vídeo em homenagem a Mandela. A campanha “Escolas para África” para matricular 2 milhões de crianças africanas foi uma parceria entre a agência da ONU, a fundação de Mandela e a Sociedade Hamburgo.

Em entrevista à Rádio ONU, em Nova Iorque, o diretor de Programas do Unicef, Nicholas Alipui, destacou o contributo do mentor da iniciativa.

“Viveu para presenciar pessoalmente a transformação que conseguiu introduzir pelo mundo, uma transformação que se pode caracterizar na sua forma única de reflectir a nossa humanidade comum. O que nos une são os valores e as esperanças que cada um tem pela sua própria vida, pelos seus filhos e pela sua comunidade.”

Fiel aos Princípios

Em nota, a alta comissária dos Direitos Humanos, Navi Pillay, recordou o trecho do então réu durante o julgamento de Rivónia em 1964, que ditou a sua prisão. Ela disse que Mandela manteve-se fiel às suas declarações quando falou da luta contra a dominação branca e negra.

Mandela falou do seu “ideal de uma sociedade livre e democrática, onde todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com igualdade de oportunidades, para o qual esperava viver e vê-lo realizado” e se fosse necessário, era “um ideal pelo qual estava preparado para morrer.”

Vingança

A alta comissária disse em nota que apesar dos seus 27 anos detido, o ícone da luta anti-apartheid nunca seguiu o caminho da vingança.

A representante, que é sul-africana, disse lembrar-se “dos sentimentos em ebulição no país” quando Mandela foi libertado, tal como ódio, sede de vingança e desejo de discriminar por parte dos que foram discriminados. 

Liberdade

Pillay disse que era difícil não partilhar tais sentimentos, depois de longos anos a viver sob o apartheid. Mas conforme sublinhou, Nelson Mandela recusou-se a enveredar por esse caminho, tal como já o tinha feito num acordo pela sua liberdade em troca dos princípios do movimento de libertação.

O alto comissário para Refugiados, António Guterres, disse que Mandela e a sua fundação tiveram um papel fundamental ao evitar a xenofobia e o racismo na África do Sul. Mandela trabalhou em parceria com a agência na assistência e na proteção de refugiados.

HIV

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, destaca o papel do ícone anti-apartheid para eliminar a discriminação contra as pessoas vivendo com HIV, ao ter convidado as pessoas a falar publicamente e a não esconder o seu estado.

Para Margareth Chan, o compromisso de Mandela para superar o preconceito e o ódio inspirou a sua determinação para quebrar as barreiras entre as diferentes raças.

*Apresentação: Denise Costa.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud