Direitos humanos deterioram na República Centro-Africana, diz ONU

Direitos humanos deterioram na República Centro-Africana, diz ONU

Alta comissária da área diz que situação no país africano testa prontidão internacional para atuar, tal como a crise na Síria.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A situação da República Centro-Africana está a deteriorar-se rapidamente e os “sinos de alarme já soam alto”, alertou esta segunda-feira a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Falando a jornalistas, em Genebra,  Navi Pillay destacou a situação como uma das que está a testar a prontidão da comunidade internacional em agir. Ela comparou a realidade centro-africana aos abusos perpetrados por ambos os lados do conflito na Síria, os quais considerou “que desafiam as crenças.”

Muçulmanos e Cristãos

Várias outras entidades, incluindo funcionários da ONU, já advertiram para o perigo do genocídio no país africano, após ataques entre muçulmanos e cristãos.

Calcula-se que 10% da população tenha fugido das suas casas devido ao eclodir dos ataques, registados na sequência da tomada do poder do novo governo em março passado. O Fundo da ONU para a Infância estima que existam 6 mil crianças-soldado nas fileiras de grupos armados do país.

Força Francesa

De acordo com agências noticiosas, a França anunciou, esta segunda-feira, o envio de 200 dos 500 soldados de uma força para tentar restaurar a ordem após a tomada do controlo do país pelo grupo armado Séléka.

Os relatos das agências apontam para a saída de alguns ex-elementos das forças rebeldes da capital, Bangui, com a chegada das tropas francesas à cidade.

Os relatos de violações de direitos humanos, desde a tomada do poder dos Séléka, incluem o “assassinato deliberado de civis, atos de violência sexual contra mulheres e crianças, além da destruição e pilhagem de propriedades como hospitais, escolas e igrejas.”