África perdeu 22 mil elefantes no ano passado, refere a Cities

2 dezembro 2013

Continente pode perder um quinto de animais da espécie na próxima década; na África Central, caça ilegal é duas vezes maior que a média africana.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque. *

Cerca de 22 mil elefantes foram abatidos ilegalmente no continente africano em 2012.

A informação foi dada, esta segunda-feira, pela Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora, Cities. A caça ilegal de elefantes e o tráfico de marfim são debatidos numa reunião que decorre no Botsuana, até esta quarta-feira.

Tráfico

Numa análise à situação dos mamíferos, a entidade refere que o tráfico ilegal de marfim aumentou 20% em relação ao pico de 2011.

Em entrevista à Rádio ONU, de Genebra, o especialista da Cites, Marcos Silva, falou das motivações para o tipo de comércio.

“A situação está ficando catastrófica. São vários fatores responsáveis por essa situação. São problemas sociais e políticos que a região tem, que faz um pouco o policiamento ser muito difícil. Segundo são máfias organizadas, que estão entrando no comércio, porque o preço do marfim está muito alto. E terceiro são os problemas políticos, com bandos de guerrilheiros que vendem o marfim em troca de armamentos.”

Países africanos como a Tanzânia e o Quénia são os pontos de saída do material, que segue via Malásia, Vietname e Hong Kong tendo frequentemente como destino final a China e a Tailândia. 

Animais Mortos

Nos 27 países do continente que foram incluídos na Monitorização de Mortes Ilegais de Elefantes, denominado “Mike”, são destacados 15 mil animais mortos.

O estudo revela que a caça ilegal pode fazer com que o continente perca 20% dos seus elefantes na próxima década.

África Central

O secretário-geral da Cites, John Scanlon,  considerou “a situação é crítica e pode levar à extinção local da espécie”, caso as mortes continuem no ritmo atual. A situação é tida como mais séria na África Central, onde a caça ilegal é duas vezes maior que a média do continente.

A população de elefantes africanos é de cerca de 500 mil animais, que estão em risco caso a tendência continue. Os altos índices de caça ilegal têm como motivação o tráfico de marfim.

Dados preliminares sugerem que somente este ano, as apreensões em larga escala, com pelo menos 500 kg de marfim numa única transação, já representam a maior quantidade confiscada nos últimos 25 anos.

A apreensão em grande escala geralmente indica a participação do crime organizado e até o momento, em 18 casos de confisco renderam 41,6 toneladas de marfim este ano.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

Ouça a entrevista na íntegra com Marcos Silva. 

 

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