África perderá 20% de seus elefantes na próxima década
BR

2 dezembro 2013

Somente no ano passado, 22 mil animais foram abatidos ilegalmente em 27 países africanos; apreensões de marfim já são as maiores dos últimos 25 anos; destino do contrabando geralmente é a China e a Tailândia.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

A caça ilegal pode fazer a África perder 20% de seus elefantes nos próximos 10 anos, segundo uma análise divulgada esta segunda-feira pela Cites, a Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora.

Somente no ano passado, 22 mil elefantes foram abatidos ilegalmente no continente africano. Nos 27 países da África que participaram do Monitoramento de Mortes Ilegais de Elefantes, chamado em inglês de “Mike”, foram 15 mil animais mortos.

Extinção

Segundo o secretário-geral da Cites, John Scanlon, “a situação é crítica e pode levar à extinção local da espécie”, caso as mortes continuem no ritmo atual. Ele nota ainda que a situação é mais séria na África Central, onde a caça ilegal é duas vezes maior que a média do continente.

A população de elefantes africanos é de cerca de 500 mil animais, que estão em risco caso a tendência continue. Os altos índices de caça ilegal têm como motivação o tráfico de marfim.

De Genebra, o especialista da Cites, Marcos Silva, explicou à Rádio ONU outras motivações para os assassinatos de elefantes.

“A situação está ficando catastrófica. São vários fatores responsáveis por essa situação. São problemas sociais e políticos que a região tem, que faz um pouco o policiamento ser muito difícil. Segundo são máfias organizadas, que estão entrando no comércio, porque o preço do marfim está muito alto. E terceiro são os problemas políticos, com bandos de guerrilheiros que vendem o marfim em troca de armamentos.”

Dados preliminares sugerem que somente este ano, as apreensões em larga escala, com pelo menos 500 kg de marfim em uma única transação, já representam a maior quantidade confiscada nos últimos 25 anos.

Rotas

A apreensão de marfim em grande escala geralmente indica participação do crime organizado e até o momento, em 18 casos de confisco renderam 41,6 toneladas de marfim.

Somente neste ano, o tráfico ilegal de marfim já aumentou 20% em relação ao pico de 2011. Tanzânia e Quênia são os pontos de saída do material, que segue via Malásia, Vietnã e Hong Kong, e o destino final do marfim geralmente é a China e a Tailândia.

Mas nos últimos dois anos, os traficantes vêm utilizando novas rotas, como Indonésia, Espanha, Sri Lanka e Emirados Árabes Unidos. A caça ilegal de elefantes e o tráfico de marfim são tema de uma reunião que ocorre em Botsuana até quarta-feira.

Ouça a entrevista na íntegra com Marcos Silva, da Cites. 

 

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