Moçambique aponta falta de recursos para eliminar violência contra as mulheres

Moçambique aponta falta de recursos para eliminar violência contra as mulheres

Aspectos como sensibilização,  sistema integrado de atendimento às vítimas aliados a melhores políticas e estratégias apontados como desafios para o fim da prática.

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.

No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, neste 25 de Novembro, a entidade da ONU que promove a autonomia feminina destacou o quadro jurídico e execução da respetiva lei como desafios de Moçambique.

Para representante da ONU Mulheres no país, Valeria de Campos Mello, a situação sobre a violência apresenta avanços. O destaque vai para o quadro jurídico, apesar da falta de recurso para que a lei seja posta em prática.

Sociedade Civil

“O país tem um quadro jurídico que vem melhorando muito, felizmente temos a lei da violência adotada em 2009, que foi um grande progresso fruto de uma ação conjunta com sociedade civil, com a participação de todos mas temos o grande desafio da implantação dessa lei. Então, apesar de existir um quadro jurídico não ideal, principalmente a questão do código penal enfim favorável, e uma vontade política, faltam recursos”.

A Rádio ONU em Maputo, ouviu alguns citadinos sobre o tipo de violência. Uma das entrevistadas, que preferiu não revelar a sua identidade, disse que vive o drama. A outra, Elisa Mulhate, disse que a sua realidade é diferente.

Consciencialização

“Violentada com ele sim, a polícia não conseguiu corresponder nenhum caso meu. A policia só disse não, esta senhora não esta boa de cabeça, eu disse, esta bem não estou bem de cabeça, mas eu vim aqui meter a minha queixa, eu disse que se eu também tomar as minhas providencias não me acusem. Sou Elisa Fabião Mulhate, ainda não fui, mas os que estão a violentar não estão a fazer bem. Não devem continuar a violentar, porque não são coisas que se façam.”

Já o vendedor Zamilo Machone, do mercado informal, e o taxista Luís Sitoe, negam ter praticado atos de violência contra a mulher.

Apelo

Eu na minha vida nunca pratiquei esta ação de violência. Quando oiço falar de violência, o que posso dizer, é, para os que fazem isso ai, para não continuar a fazer porque isso e mau na sociedade. Nunca pratiquei violência doméstica, pelo menos com a minha mulher nunca, quando zango com minha mulher eu saio, arranjo um sítio, sento-me com os amigos a conversar e acabo esquecendo.”

Estatísticas

Segundo a ONU Mulheres, em Moçambique, dados de 2004 indicam que 55% de mulheres moçambicanas já sofreram casos de violência.

Numa mensagem alusiva à data, as Nações Unidas referem que uma em cada três raparigas deve casar antes de completar 18 anos. Cerca de 125 milhões de mulheres e raparigas em todo mundo sofreram mutilação genital.

As celebrações da data decorrem sob lema: Da Paz em Casa a Paz no Mundo: desafiemos o militarismo e acabemos com a violência contra mulheres e raparigas.