Liberalização comercial não beneficia mulheres em Angola, diz Unctad

19 novembro 2013

Estudo sugere formalização para ampliar oportunidades do grupo nas micro e pequenas empresas; estimativas apontam para envolvimento de entre 60% e 70% de angolanas no setor informal urbano.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A liberalização do comércio não modificou a situação de grande parte das mulheres angolanas, revela um estudo da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

O segmento feminino integra grande parte dos produtores excluídos dos mercados, conforme a pesquisa “Quem se Beneficia com a Liberalização do Comércio em Angola? Uma Perspetiva de Género.”

Mulheres

A publicação revela que a agricultura comercial emprega na sua maioria homens, com a mão-de-obra feminina a representar 26% dos trabalhadores do agronegócio. A Unctad estima que 20 mil mulheres atuem na área.

A maior concentração feminina está no setor informal urbano, onde estas representam entre 60% a 70% de todos os trabalhadores. A atividade é a principal a empregar mão-de-obra composta por mulheres fora da agricultura.

Pobres e Vulneráveis

No país, estima-se que as mulheres trabalhem em média entre 14 e 15 horas diárias, tanto em casa quanto no campo. Os agregados familiares chefiados por mulheres são os mais pobres e vulneráveis, representando 33% das famílias rurais.

Com a agricultura de exportação “muito limitada” apesar de empregar mão-de-obra rural feminina, o Unctad defende que a formalização poderia aumentar as oportunidades de negócio para as micro e pequenas empresárias.

Para tal, a sua capacidade produtiva deve “estar ligada aos principais setores económicos de Angola, nomeadamente em redes de fornecedores de produtos e de serviços.”

Forte Presença

A sugestão é que sejam exploradas opções de investimento em setores como a agricultura de subsistência, onde há uma forte presença de pobres e especialmente de mulheres. Elas compõem 50,2% da população angolana.

O aumento da renda das mulheres dedicadas a serviços formais não comercializáveis, deve ter “impacto global mínimo em Angola”. A Unctad refere que a previsão de crescimento somente poderá ser substancial para as trabalhadoras da área.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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