Henrique Alves diz que políticos "pensarão 10 vezes" após prisões no Brasil
BR

18 novembro 2013

Presidente da Câmara dos Deputados falou à Rádio ONU que conceito de impunidade e prisão "apenas para pobres" começou a mudar no país; ele se reuniu nesta terça com presidente do Conselho de Segurança nas Nações Unidas.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, concluiu nesta segunda-feira uma visita de trabalho às Nações Unidas.

Ele esteve com o vice-secretário-geral, Jan Eliasson, e o presidente rotativo do Conselho de Segurança, Jieyi Liu. Eles conversaram sobre a proposta do Brasil de privacidade no espaço digital e também a reforma do Conselho de Segurança.

Conceito de Impunidade

Nesta entrevista à Rádio ONU, o presidente da Câmara dos Deputados comentou o caso das prisões de ex-parlamentares e empresários acusados de casos de corrupção no Brasil.

Para Henrique Alves, as prisões devem ajudar a combater o problema. Ele disse que a partir de agora, os políticos pensarão "10 vezes" antes de cometer um ato ilegal no país.

“É lógico que não gostaríamos que isso tivesse acontecendo, de qualquer maneira é sempre uma coisa que traumatiza, que doi em cada um de nós, essa percepção de que essas coisas estão acontecendo no Brasil; mas tem outro lado da moeda, que é mostrar que nós estamos apurando (a situação). Hoje, no Brasil, aquele famoso conceito de impunidade, de se prender apenas os pobres, os pequenos, os indefesos, hoje esse conceito é muito diferenciado. Estão aí as provas, quando empresários de alto nível estão sendo presos, condenados, sentenciados, o que mostra que estamos no caminho certo, um caminho que é penoso, longo, que é uma mudança de cultura, de hábitos e de visão. Estamos mostrando que queremos mudar, inverter o estado das coisas, para que o país seja cada vez mais respeitado naquilo que quer fazer, e para que, principalmente, os homens públicos melhorem cada vez mais o seu desempenho, a sua qualidade, com um trato cada vez mais exemplar, mais ético e mais transparente da vida pública.”

Licitação Pública

Rádio ONU: O senhor acha que a partir de agora um político, até mesmo um empresário, alguém participando de uma licitação pública vai pensar duas vezes antes de cometer um ato de corrupção por causa dessas prisões?

“Não, acho que 10 vezes mais. Acho que essa é uma prática a qual afinal chegamos, chegamos a um ponto que ainda não é um ponto encerrado, é um começo de um comportamento que tem de nascer com as pessoas, e se não tem de aprender ao longo do tempo. Há necessidade de que a ética seja uma prática em todos os passos, em todos os caminhos, em todas as direções. Acho que o Brasil avança muito nesse sentimento e nessa consciência.”

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, liderou uma delegação de congressistas brasileiros que participou de uma conferência anual da União Interparlamentar, realizada na sede das Nações Unidas.

 

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