Alto comissariado deplora ataques racistas contra governante francesa

15 novembro 2013

Ministra da justiça, Christiane Taubira, foi figura de capa num semanário que a comparava a um macaco; em sua defesa, a “Minute” diz ter usado expressões coloquiais.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU condenou, esta sexta-feira, uma série de ataques racistas a decorrer na França contra uma das ministras do governo de François Hollande.

No último incidente, o semanário “Minute”, considerado de extrema-direita, estampou na sua capa a foto da ministra da Justiça, Christiane Taubira, com a sentença “astuta como uma macaca, Taubira recupera a banana.” A ministra é de raça negra.

Dúvidas

O porta-voz do Alto Comissariado Rupert Colville disse que o racismo entre linhas no jogo de palavras não deixa dúvidas de que a publicação “Minute” foi preconceituosa.

O semanário defendeu-se referindo que usou apenas “de duas expressões francesas coloquiais para expressar que alguém estava muito feliz.”

No fim da sua intervenção, Colville elogiou a rápida condenação do incidente racista pelo governo da França e muitos outros políticos do país.

Documentário

Em outubro, um candidato da Frente Nacional comparou Taubira a um macaco num documentário televisivo. Uma semana depois, na cidade de Angers, vários manifestantes incluindo crianças lançaram cascas de banana para a ministra enquanto entoavam slogans contra ela.

Para o Alto Comissariado da ONU, as ofensas abusivas são inaceitáveis e uma manifestação contundente do aumento do racismo, da xenofobia e da intolerância.

Ataques

O porta-voz ressaltou o aumento de casos contra minorias étnicas e religiosas como também contra migrantes, em vários países da Europa.

Em julho, as Nações Unidas repudiaram um outro ataque semelhante à ministra da Integração da Itália, Cécile Kyenge, ao ter sido comparada a um orangotango por um colega no Senado.

Colville disse que todos os ataques racistas sejam contra políticos, jogadores de futebol ou cidadãos comuns têm de ser condenados.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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