OMS alerta para déficit de 12,9 milhões de trabalhadores na saúde até 2035 BR

OMS alerta para déficit de 12,9 milhões de trabalhadores na saúde até 2035

Relatório da agência da ONU afirma que se nada for feito problema terá implicações para bilhões de pessoas no mundo inteiro; documento diz que atualmente setor de saúde sofre com falta de mais de 7 milhões de funcionários.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou que a força global do setor da saúde terá um déficit de 12,9 milhões de trabalhadores até 2035.

O aviso foi feito no relatório “A Verdade Universal: não há saúde sem uma força de trabalho”, divulgado esta segunda-feira, pela agência da ONU.

Saúde Universal

Mais de 1,3 mil autoridades de 85 países estão reunidas no 3º Fórum Global sobre Recursos Humanos para a Saúde, que está sendo realizado no Recife, Pernambuco. Elas estão debatendo a Cobertura Universal de Saúde.

Segundo o documento, atualmente, há uma falta de 7,2 milhões de trabalhadores no setor no mundo inteiro.

A OMS afirma que se nada for feito pelos governos e autoridades, essa situação vai ter sérias implicações na saúde de bilhões de pessoas em todo o planeta.

Causas

O relatório cita várias causas para a falta de trabalhadores como aposentadoria ou mudança de emprego por melhores salários. Além disso, o documento diz que não há jovens suficientes entrando na profissão ou sendo treinados para trabalhar.

O setor de saúde tem sofrido uma demanda crescente por causa do aumento de doenças como o câncer, derrames e problemas do coração.

Para evitar o problema futuro, o Fórum Global recomenda, entre outros, que os países adotem mecanismos para a participação dos trabalhadores no desenvolvimento e na implementação de políticas para o setor.

O relatório da OMS mostra alguns dados positivos, como por exemplo, o fato de muitos países terem conseguido alcançar o patamar básico de 23 profissionais de saúde para cada 10 mil pessoas.

Ásia e África

Apesar do avanço, o documento cita que 83 países ainda não conseguiram atingir esse nível. A previsão é de que os maiores déficits ocorram na Ásia e na África, principalmente na região subsaariana.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a África Subsaariana tem muitos desafios em relação à educação e ao treinamento dos profissionais. O relatório informa que nos 47 países que formam a região, existem apenas 168 escolas médicas.

Desses países, 11 não têm uma faculdade médica e 24 têm apenas uma.

O documento mostra que nas Américas a situação é diferente. Aproximadamente 70% dos países têm trabalhadores suficientes no setor para realizar os serviços básicos de saúde.

Mesmo assim, a diretora da OMS para as Américas, Carissa Etienne, afirmou que esses países ainda enfrentam desafios relacionados à distribuição dos profissionais, ao treinamento e à capacidade.