Aiea quer erradicar mosca tsé-tsé na Etiópia

5 novembro 2013

Programa da Agência Internacional de Energia Atómica e do governo etíope já conseguiu reduzir em 90% população do inseto; doença do sono é disseminada através da picada da mosca no gado.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova Iorque.*  

Um programa conjunto da Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea, e do governo da Etiópia quer erradicar a mosca tsé-tsé no país.

O inseto carrega um parasita responsável pela nagana, semelhante à doença do sono, que ocorre nos humanos. A transmissão ocorre quando a mosca pica os animais, principalmente o gado, podendo levá-los à morte.

Redução 

Desde o início do programa, a população da mosca tsé-tsé foi reduzida em 90%. As autoridades aplicaram o pesticida nos animais e prepararam armadilhas para matar as moscas. 

O entomólogo da Aiea, Rui Cardoso Pereira, explicou em entrevista à Rádio ONU, de Viena, que o problema da mosca tsé-tsé é com os animais, mas que os humanos sofrem os efeitos com a morte do gado, que ajuda na agricultura. 

Carne e Leite

“Numa determinada área onde a mosca tsé-tsé tem uma determinada incidência causa esses problemas no gado que, indiretamente, depois se reflete na falta de bens tão essenciais como a carne e o leite.”

O especialista disse que o processo de esterilização é feito em laboratório, onde os insetos são criados mas sem condições de procriar. As moscas de laboratório são depois libertadas nas regiões mais afetadas onde se misturam aos insetos selvagens.

Programa Conjunto

Os agricultores etíopes disseram que desde o início do programa conjunto, as vacas não estão mais cansadas nem morrem mais da doença causada pelos insetos.

Além disso, os agricultores têm agora como sustentar às famílias com a produção de milho e a venda de leite nos mercados locais. Por outro lado, os campos de produção geram postos de emprego para a população da região.

A meta do programa é erradicar o inseto de uma área de 25 mil km² no Vale do Rift.

Gado

Segundo o diretor-geral do projeto de erradicação da mosca tsé-tsé, Thomas Cherenet, o gado é a espinha dorsal da sociedade etíope.

Conforme referiu, o país depende totalmente da agricultura. Como os agricultores não usam máquinas, os animais não servem somente para fornecer leite e carne, mas funcionam também como força.

Lusófonos

Em relação à incidência do inseto nos países lusófonos, o entomólogo da Aiea apontou para a diferença de casos em Angola em relação à Etiópia.

“Os dados existentes mostram que Angola não é só uma questão de animais. Há mortes causadas pela doença do sono diretamente no homem. Portanto nós não deixamos de ser um animal e também sofremos com isso. Há cerca de dois ou três anos havia cerca de 3 mil mortes causadas pela doença do sono em Angola.”

O entomólogo disse ainda que a Aiea está envolvida em vários outros projetos, dentre os quais um que envolve ações em Moçambique, na África do Sul e na Suazilândia.

Sendo a questão das pragas sempre transfronteiriça, Cardoso Pereira afirmou que a organização tem que combater também os mosquitos que transmitem a dengue e a malária.

Ao todo, a agência apoia 14 países africanos no combate à mosca tsé-tsé. A Etiópia é um dos 37 que sofrem com o inseto. A Aiea refere que a nagana ou doença do sono mata 3 milhões de cabeças de gado, por ano, em todo o continente.

*Apresentação: Eleutério Guevane.

 

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