Um dia após declarar cessar-fogo, M23 volta a atacar na RD Congo

4 novembro 2013

Vila fronteiriça de Bunagana registou confrontos entre o grupo rebelde e o exército; entidades internacionais condenaram os incidentes.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Entidades internacionais expressaram, nesta segunda-feira, a sua preocupação com o novo surto de violência entre os rebeldes M23 e as forças governamentais da República Democrática do Congo. 

A informação consta de um comunicado, emitido pelos enviados especiais do Secretário-Geral para os Grandes Lagos e para o país, além de representantes da União Europeia e da região dos Grandes Lagos. O pedido é que ambos os lados se abstenham de novas ações militares. 

Mísseis

Agências noticiosas anunciaram confrontos, nesta segunda-feira, na vila fronteiriça de Bunagana onde teriam sido disparados mísseis com milhares de pessoas a fugir para o vizinho Uganda.

Em declarações à Rádio ONU, de Goma, o comandante das tropas da Missão da ONU na RD Congo, Monusco, Carlos Alberto dos Santos Cruz disse que os rebeldes tentam defender as suas posições.

Progressos

“Hoje, mais uma vez e infelizmente, o M23 lançou algumas granadas na área da população civil havendo algumas baixas. As forças da RD Congo também tiveram alguns progressos em algumas posições, mas o conflito se encontra ainda bastante ativo nessa região”, destacou.

Os ataques surgiram um dia após o grupo rebelde ter anunciado um cessar-fogo para permitir a continuação das negociações de paz com o governo. O oficial falou da necessidade de conter as baixas civis.

Imprensa

“Na imprensa é possível encontrar um comunicado do movimento M23 falando da cessação de hostilidades, mas o que acontece na imprensa é diferente. O governo também, a gente percebe na imprensa, que tinha alguma esperança nesse comunicado e mesmo os países que compõem a Conferência dos Grandes Lagos também estão estimulando as duas partes para parar com o conflito e a prosseguir na negociação política.”

Mas os representantes da ONU, da União Europeia e dos Grandes Lagos disseram que o anúncio do fim das hostilidades é um primeiro passo necessário para a paz.

Processo Político

Eles reconheceram progressos substanciais no diálogo Kampala, mas instaram a ambas as partes que continuem empenhadas no processo político através de um acordo final e íntegro.

Segundo ele, o processo deve garantir desarmamento e a desmobilização do M23 além da prestação de contas pelas violações dos direitos humanos.

Nesta segunda-feira, arrancou uma Cimeira da Conferência Intergovernamental dos Países dos Grandes Lagos e da Comunidade dos Países da África Austral, Sadc, na capital sul-africana Pretória.

Para os enviados, trata-se de uma oportunidade para um consenso significativo para o fim imediato da crise de segurança e o avanço da implementação do Quadro de Paz, Segurança e Cooperação para a RD Congo e para a região.

 

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