Analista da ONU alerta contra discriminação de minorias na Europa
BR

29 outubro 2013

Rita Izsák disse que é perigoso estigma de criminoso da comunidade Roma, como são chamados os ciganos no continente europeu; ela afirmou que imprensa e algumas autoridades trabalham como se o povo Roma fosse “culpado até que se prove sua inocência”.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A analista independente da ONU, Rita Izsák, alertou contra discriminação de minorias na Europa.

Izsák afirmou que o estigma de criminoso lançado sobre o povo Roma é preocupante e perigoso. Calcula-se que a população Roma, como são chamados os ciganos, chegue a 12 milhões de pessoas na Europa.

Discriminação

A analista da ONU explica que eles têm sofrido uma longa história de discriminação. Izsák deu como exemplo o caso de Maria, uma menina loura encontrada numa comunidade Roma na Grécia.

O fato gerou uma onda de notícias negativas contra o grupo e o assunto acabou virando manchete dos jornais no mundo inteiro.

Segundo a representante da ONU, acusações sem base foram feitas sobre como a criança foi roubada e abusada, mesmo antes de uma investigação sobre o caso.

DNA

Izsák disse que testes de DNA mostraram que a menina é filha de um casal de ciganos búlgaros que permitiram, voluntariamente, que o casal de ciganos da Grécia ficasse com a menor porque não tinham condições de cuidar dela.

Para a analista da ONU, algumas autoridades e a imprensa parecem estar trabalhando como se o povo Roma “fosse culpado até que se prove sua inocência”.

Segundo ela, o casal que estava com a menina na Grécia continua detido acusado de sequestro.

Izsák disse que a reação a esse caso alcançou vários países europeus. Famílias desesperadas com crianças desaparecidas estão ligando para a polícia para investigar comunidades Roma na tentativa de encontrar os menores.

Gerações

Ao mesmo tempo, a analista da ONU diz que as famílias Roma estão vendo seus próprios filhos serem levados pelas autoridades simplesmente por terem cores de cabelo ou dos olhos diferentes.

Ela cita o caso de duas crianças na Irlanda, que foram tiradas dos pais e só retornaram depois que testes de DNA comprovaram que elas eram mesmo filhas do casal Roma.

Izsák afirmou que por gerações, crianças do povo Roma foram retiradas de suas famílias por causa da pobreza ou pela suposição de que elas não têm condições de cuidar dos filhos.

Muitas dessas crianças desaparecem e correm o risco de serem traficadas ou usadas em redes de prostituição.

A analista da ONU pediu a imprensa e as autoridades que evitem declarações sobre a suposta criminalidade do povo cigano. Segundo ela, isso só vai gerar um estigma cada vez mais profundo e violência contra o grupo.

Para Izsák, “num período de crise econômica e desilusões, a última coisa que se precisa é piorar ainda mais a situação daqueles que já são marginalizados.”

 

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