Tráfico humano aumenta pela falta de órgãos para transplantes
BR

28 outubro 2013

Alerta é da relatora da ONU sobre tráfico de pessoas, Joy Ngozi Ezeilo; vítimas são muitas vezes pobres, desempregadas e com baixo nível de escolaridade.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Segundo a relatora especial da ONU sobre tráfico de pessoas, tem aumentado o número de pessoas exploradas ou obrigadas à força, ou por necessidade, a fornecer órgãos para transplantes.

Joy Ngozi Ezeilo afirma que a escassez, em todo o mundo, de órgãos para transplantes é a principal causa do tráfico de pessoas para remoção de órgãos.

Demanda

A relatora destaca que existe uma incompatibilidade entre a demanda crescente de transplantes e os limites severos em relação ao que está disponível.

Outro problema citado por Ezeilo é a falta de informação sobre o tráfico de pessoas para a remoção de órgãos, “resultado da natureza clandestina do crime e do fato de que as vítimas têm poucas oportunidades e incentivos para denunciar tais violações.”

Na avaliação da relatora, os recipientes são geralmente pessoas com boas condições financeiras, enquanto “as vítimas são pobres, desempregadas e com baixo nível escolar.”

Falsa Promessa

Por isso, elas podem ser facilmente enganadas sobre a natureza da transação e seu impacto, nota a especialista em direitos humanos.

Casos estudados pela relatora mostram que as vítimas, especialmente do leste europeu, América do Sul e Ásia, são atraídas a vender seus órgãos com a promessa de receber grandes quantias de dinheiro. Mas na maioria das vezes, elas nunca recebem o pagamento completo.

Segundo Ezeilo, os cuidados médicos pós-operatórios oferecidos para as vítimas são muitas vezes inadequados e muitas sofrem exclusão social e ameaças diretas com o objetivo de silencia-las.

Ação

A relatora da ONU destaca leis insuficientes, a nível internacional, sobre o tráfico de pessoas para remoção de órgãos e defende que os países aumentem as ações para o fim de todas as formas de tráfico humano.

Joy Ngozi Ezeilo pede o reforço de políticas para prevenir violações, para processar os criminosos e proteger e assistir as vítimas. Além disso, a relatora quer a proibição, “absoluta e incondicional”, da remoção de órgãos de prisioneiros.

Ezeilo apresentou seu relatório sobre o tema na sexta-feira, à Assembleia Geral das Nações Unidas.

 

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