Relatora da ONU pede mais proteção aos refugiados da Eritreia

24 outubro 2013

Sheila Keetharuth apresentou, na Assembleia Geral, relatório sobre os direitos humanos no país; segundo a perita, situação inclui casos de assassinatos, desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A relatora especial das Nações Unidas sobre a Eritreia apresentou à Assembleia Geral, esta quinta-feira, um documento sobre a situação dos direitos humanos no país.

Em Nova Iorque, Sheila Keetharuth, explicou que os civis sentem-se “presos numa situação longa e desesperadora”. Por isso, estes decidem correr o risco e fugir da Eritreia.

Tortura

A relatora pede à comunidade internacional que se concentre nos esforços de proteção dos refugiados do país, em especial nas crianças desacompanhadas. Keetharuth descreveu um “cenário alarmante” no terreno, com casos de assassinatos extrajudiciais, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias e tortura.

Segundo a perita, a população da Eritreia também sofre com a falta da liberdade de expressão e de opinião, de associação, de crença religiosa e de movimento.

A relatora defende ideias inovadoras para garantir os direitos humanos dos civis, incluindo os políticos, económicos, sociais e culturais. Para tal, Keetharuth defende o engajamento construtivo do país com nações vizinhas.

Tragédias

A especialista lamentou profundamente as duas recentes tragédias com barcos que naufragaram no Mediterrâneo, causando a morte de vários refugiados, incluindo de cidadãos eritreus.

Segundo dados da ONU, somente no ano passado, mais de 305 mil civis fugiram do país. Atualmente, entre 2 mil e 3 mil eritreus emigram todos os meses, refere o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.

Em relação aos detidos, Sheila Keetharuth nota que muitos são vulneráveis a abusos e ficam sem acesso à família, médicos, advogados e juízes.

A relatora especial reforçou o seu pedido ao governo de cooperação com o seu mandato, que segundo defende “oferece a oportunidade para o diálogo franco e aberto sobre a situação dos direitos humanos”.

*Apresentação: Denise Costa.   

 

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