PMA alerta para corte parcial de auxílio alimentar na RD Congo

22 outubro 2013

Mais de 300 mil deslocados internos do Kivu Norte devem ficar sem receber alimentos por falta de recursos; decisão também deve afetar grupos como crianças em idade escolar, refugiados e repatriados do país. 

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, anunciou, esta terça-feira, que está a ser forçado a reduzir a área de cobertura da assistência alimentar na República Democrática do Congo, RD Congo.

A agência alertou que a medida poderá limitar o apoio às crianças em idade escolar além de grupos como refugiados, repatriados e beneficiários de atividades de recuperação ou de resiliência.

Confrontos

O anúncio de cortes surge quando ocorrem intensos confrontos na província Oriental, que fizeram mais de 80 mil necessitados. Estima-se que o número possa subir para até 150 mil pessoas.

Durante os últimos cinco meses, a agência diz que houve um aumento dos preços de alimentos como farinha de milho, em áreas afetadas pela insegurança alimentar. Em Goma, a capital do Kivu Norte, os preços subiram em torno de 8 % numa altura em que surgem notícias de tensões.

Desacordo

Nesta segunda-feira, a ONU apontou ter havido dificuldades de alcance de um acordo após negociações de quatro dias entre o governo e rebeldes do M23, em Kampala. Os pontos de desacordo foram a amnistia, o desarmamento e a integração do grupo armado.

Uma pesquisa sobre a segurança alimentar nas emergências na província de Kivu do Norte, uma das principais áreas de ação do M23, indica que seis em cada 10 famílias estão em situação de insegurança alimentar.

Deficit

Para todo o país, foi recebida cerca de metade do financiamento necessário para que o PMA prossiga as operações de socorro planeadas para o próximo semestre, perante um deficit de US$ 70 milhões.

Caso não haja confirmação de novos recursos, mais de 300 mil deslocados internos do Kivu Norte não terão cobertura alimentar. Eles já estão a receber metade das rações nos últimos seis meses.

Até o momento, 121 mil deslocados internos e famílias de acolhimento são apoiadas pelo PMA. A assistência alimentar, o dinheiro e os vales de alimentos são dados a cerca de 1,9 milhões de pessoas em todo o país.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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