União Africana inquieta com contornos religiosos da crise centro-africana

11 outubro 2013

Agências noticiosas apontam para dezenas de mortos como resultado do tipo de violência nos últimos dias; Conselho de Segurança pondera converter missão da entidade regional em operação de manutenção da paz da ONU.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O embaixador da União Africana junto das Nações Unidas manifestou preocupação com os contornos da instabilidade na República Centro-Africana.

Agências noticiosas apontam para dezenas de mortos como resultado de episódios violentos do género, que se juntam ao já instável ambiente instalado na sequência do golpe de Estado de março deste ano.

Cristãos e Muçulmanos

Téte António fez as declarações à Rádio ONU, em Nova Iorque, após a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança que ajusta o mandato do Gabinete Integrado de Consolidação da Paz das Nações Unidas no país, Binuca.

“Há violência contra cristãos e contra muçulmanos e já está a tornar-se um conflito com uma cor religiosa, o que é perigoso. Isto pode-se alastrar para a região e, creio, não há uma tendência de jihadistas. Estamos a ver o perigo que isto está a constituir no Mali e não queremos que a situação chegue até aí. É preciso parar com este mal”, disse.

Misca

A União Africana foi enaltecida pelo órgão por autorizar o envio da Missão Internacional de Apoio à República Centro-Africana liderada por Africanos, a ser designada Misca.

O Conselho disse aguardar com expectativa a “sua criação rápida”, que deve representar um “contributo importante para criar condições com vista ao exercício de uma autoridade estável e democrática a nível nacional”. Pretende-se, igualmente que haja “responsabilidade pela proteção da população civil.”

Plano

A União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Central, Ceeac, devem colaborar num plano a ser elaborado num mês pelo Secretário-Geral, com vista a transformar a Missão da UA numa operação de manutenção da paz da ONU. A recomendação é que tal opção observe às “condições adequadas no terreno”

“Nós queremos que a força africana faça o trabalho primeiro. Está-se a pensar como se está a mencionar na resolução, numa possibilidade de desdobramento da operação da manutenção da paz da ONU, tendo em conta de que há um certo trabalho de estabilização a fazer primeiro. O parágrafo 21 da resolução tem esse espírito, gostaríamos que fosse melhor mas está a dizer isso”, explicou.

Coordenação

Nas novas funções, a Binuca deve implementar o processo de transição, apoiar a prevenção de conflitos e a assistência humanitária e a estabilização da situação de segurança. As atribuições incluem a promoção e a proteção dos direitos humanos e a coordenação de atores internacionais.

Os 15 Estados-membros também pediram “eleições presidenciais e legislativas livres, justas e transparentes”, num prazo de um ano e meio após o início do período de transição, que vigora desde 18 de agosto.

 

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