Após tragédia de barco, ONU pede prioridade aos direitos de migrantes
BR

7 outubro 2013

Para relator François Crépeau, União Europeia deve adotar com urgência novos canais legais para migração; mais de 100 pessoas foram confirmadas mortas após embarcação afundar em Lampedusa.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O relator especial das Nações Unidas sobre os direitos dos migrantes reiterou nesta segunda-feira seu apelo aos países da União Europeia, para que adotem com urgência uma nova abordagem ao tema.

François Crépau defende que os direitos dos migrantes sejam prioridade. Segundo ele, o incidente com um barco que afundou na costa da Itália, matando centenas, destacou que “a migração pode estar ligada a uma tragédia humana”.

Longa Lista

Segundo relatos, 500 pessoas estavam na embarcação e somente 150 foram resgatadas com vida. As vítimas, incluindo mulheres e crianças, eram da Eritreia e da Somália. O barco afundou no mar Mediterrâneo, próximo da ilha de Lampedusa.

Para o relator da ONU, a “tragédia foi apenas uma na longa lista de mortes relacionadas à migração em fronteiras, desertos, montanhas e no mar”.

Limitações

Crépau diz que se os países continuarem criminalizando a migração irregular, sem adotar novos canais para migração e limitando as possibilidades para os que buscam asilo, o número de pessoas que arriscam suas vidas só irá aumentar.

No ano passado, quando o relator visitou a Itália para avaliar o impacto dos direitos dos migrantes, ele já havia pedido à União Europeia para priorizar o tema ao desenvolver suas políticas migratórias.

Desespero

Segundo Crépau, a tragédia recente em Lampedusa faz lembrar a importância da recomendação. O especialista independente da ONU para a Somália, Shamsul Bari e a relatora para a Eritreia, Sheila Keetharuth, também lançaram apelos semelhantes.

Para Bari, o incidente mostra o “nível de desespero dos somalis, que enfrentam insegurança e a falta de direitos econômicos, sociais e culturais.”

Já Keetharuth destaca que as pessoas na Eritreia continuam saindo do país, apesar dos perigos extremos nas rotas de fuga e ressalta o grande número de crianças desacompanhadas, algumas com sete anos de idade.

Os relatores de direitos humanos elogiaram os esforços das autoridades italianas nas operações de resgate em Lampedusa.

 

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